Dólar baixo deixa viagens internacionais mais baratas neste fim de ano

Moeda norte-americana registrou segunda (5) o menor nível em 13 mese

Após um primeiro semestre ruim por causa da crise financeira e da nova gripe, a previsão é de alta nas vendas de viagens internacionais neste fim de ano. E os consumidores devem levar vantagem: os pacotes estão em média 15% mais baratos do que no fim do ano passado, afirma a Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav).

Segundo as empresas do setor, o principal motivo para o menor preço nos pacotes é a queda do dólar. Na segunda-feira (5), a moeda norte-americana registrou o menor patamar dos últimos 13 meses e fechou em R$ 1,761(veja histórico abaixo). De acordo com a associação das agências, o câmbio baixo tem ajuda da redução das tarifas das companhias aéreas e da demanda reprimida após o surto de gripe. "A partir de setembro do ano passado, auge da crise, houve queda de 25% na procura.

Em abril veio a gripe e ajudou a manter a queda até julho, principalmente nas viagens internacionais. Mas na primeira oportunidade, as pessoas voltam a viajar. Esse fim de ano será de recuperação", prevê Leonel Rossi Júnior, diretor de Assuntos Internacionais da associação.

Para Rossi Júnior, o fim de ano deve ter procura "espetacular". O diretor da Abav avalia que o dólar deve permanecer em patamar baixo até dezembro. O presidente da agência CVC, Valter Patriani, diz acreditar que o "dólar está em um momento muito especial". Para ele, esta é a hora para quem quer viajar para o exterior. "Mesmo que a pessoa compre agora para viajar no ano que vem. O momento é especialíssimo. Ainda mais se viajar até dezembro, vai pagar muito barato. E acho que o dólar não vai cair mais do que isso e acho que o governo até vai intervir porque não adianta querer dólar mais baixo. Isso acaba com a exportação, com a indústria e o emprego."

Patriani diz que o momento é de fechar viagens mesmo que seja para o ano que vem. "Digo sem medo que passando cinco dias em algum ponto do litoral de São Paulo você paga o mesmo em sete dias em um resort do Caribe com comida e bebida à vontade." O presidente da CVC destaca ainda que o dólar baixo também ajuda "incrivelmente" a diminuir os preços das viagens nacionais. "Se o preço cai lá fora, aqui cai também. Se não baixar os preços, os turistas viajam para fora." Destinos mais procurados por turistas brasileiros, segundo as agências de viagens, Estados Unidos e Europa estão em baixa temporada e por isso têm preços ainda melhores neste fim de ano na comparação com o primeiro semestre.

A moeda norte-americana desvalorizada favorece o preço. Sócio-diretor da Agência de Turismo Megtur, Patrick Tytgadt disse que o fator dólar baixo está aquecendo o setor de viagens internacionais principalmente em locais bastante atingidos pela nova gripe, como Argentina e México. "Já tivemos aumento de 50% nos pacotes para Argentina se comparar com o fim do ano passado. Melhorou muito, mas ainda não recuperamos toda a demanda para o destino."

Cruzeiros

Além das viagens internacionais, o dólar baixo também favorece o turismo em cruzeiros dentro do país, já que eles são vendidos com base na moeda norte-americana. Para o diretor comercial da MSC Cruzeiros, Adrian Ursilli, as expectativas para as vendas no final do ano são boas. “Desde o começo da queda da taxa [de câmbio], esse aumento [da demanda] vem acontecendo. E também coincide com o segundo semestre, que tem a chegada do verão e a chegada dos navios”, explica.

“Quando o câmbio baixa, todos os produtos que são vendidos no navio sofrem redução em real. Excursões, que são vendidas em dólar, passagens, spa, compra de bebida, de um souvenir. Tudo isso fica muito atrativo para o consumidor”, afirma. Entre os destinos mais procurados, Ursilli acredita que o Nordeste brasileiro deve continuar fazendo sucesso, mas prevê uma “recuperação” dos cruzeiros a Buenos Aires, que tiveram uma redução nas vendas entre junho e julho. “[Agora] notamos um incremento nos cruzeiros a Buenos Aires, até por conta dessa demanda reprimida que acabou não viajando para a Argentina em junho e julho por razão dos boatos de gripe suína. Agora com a situação amenizada, a tendência é recuperação desse destino”, afirma Ursilli.

Fonte: g1, www.g1.com.br