Educação corporativa cresce 40 vezes em dez anos

Educação corporativa cresce 40 vezes em dez anos

Número de firmas que pagam cursos para funcionários cresce 40 vezes

O número de empresas brasileiras que investem em educação corporativa cresceu 40 vezes entre 2000 e 2009, segundo uma pesquisa da FEA-USP (Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo), coordenada pela professora Marisa Eboli. No início desta década, só dez empresas investiam na área. No ano passado, já eram mais de 400. Em média, os gastos de companhias brasileiras e multinacionais no setor são de R$ 11 milhões anuais.

O investimento é reflexo da preocupação empresarial em aumentar a educação dos seus funcionários para se sair melhor no mercado de trabalho. Segundo a professora, a meta das chamadas universidades corporativas (setores específicos para lidar com formação de profissionais) é aliar o ensino aos valores éticos da companhia e as as habilidades de cada trabalhador. O setor serve, ainda, para analisar as tendências do mercado, somá-las ao planejamento estratégico da corporação e transformar essa análise em educação.

A principal diferença entre o ensino corporativo e o treinamento tradicional é que o primeiro não atende à demanda de só um setor. Gerente de soluções do Instituto Ibmec - RJ, Eduardo Pitombo explica que é feito um mapeamento constante nas empresas para identificar o que falta na companhia para alcançar metas.

- As universidades corporativas ajudam a empresa a entender de que maneira devem investir em educação para seus funcionários. [Eles vão ter] competências para exercer suas funções e obviamente atender os objetivos da companhia.

Marisa explica que esse tipo de formação acaba facilitando o diálogo no trabalho e tornando-o mais coletivo.

- Quando há um sistema em que os profissionais têm valores éticos alinhados com os da empresa, elimina uma fiscalização rígida do chefe. Ele vai querer que a pessoa assuma responsabilidades e, como os valores serão os mesmos, será de forma mais adequada.

Os cursos

O formato mais comum para a formação corporativa são cursos presenciais, dados pela própria empresa, ou em parceria com alguma instituição de ensino. Alguns exemplos são o Senai, a FGV (Fundação Getúlio Vargas) e o Ibmec ? RJ.

O curso é moldado segundo as necessidades da companhia. Pitombo identifica uma tendência: o fato desses cursos serem cada vez mais dados dentro da própria empresa, os chamados In Company. No último ano, as aulas desse tipo dadas pelo Ibmec cresceram 40%.

Gisela Gonzaga Rodriges, engenheira da Furnas Eletrobras, é aluna do PGE (Programa de Especialização em Gestão Empresarial), voltado para gerentes e potenciais gerentes da empresa. Já são 11 turmas formadas. Ela, que faz parte da 12ª turma, foi indicada para fazer as aulas pelo seu gerente.

- Acho muito importante [fazer as aulas]. É uma forma de estarmos sempre buscando na pesquisa e na literatura o aperfeiçoamento para nossas atividades.

O PGE da Eletrobras Furnas é ministrado em parceria com a Universidade Cândido Mendes. O curso tem dois coordenadores: um da empresa e outro da faculdade. As aulas acontecem quase sempre dentro da própria empresa, e são monitoradas por um funcionário do setor de educação corporativa.

Empresa ligada ao grupo Odebrecht, a ETH Bionergia quer comercializar etanol e açúcar. Ela também investe na parceria com intituições de ensino. No mercado há três anos, a companhia recorreu ao Senai e ao Centro Paula Souza para treinar parte de seus 8.500 funcionários. De acordo com o gerente de RH, Luiz Pereira de Araújo, a empresa chegou a levar um centro do Senai para os municípios onde as usinas foram instaladas, no Mato Grosso e em Goiás.

Fonte: R7, www.r7.com