Excesso de banana causa queda no preço da cultura

A produção deve ficar em 880 mil toneladas no Vale do Ribeira

A boa safra de banana no Vale do Ribeira, em São Paulo, deveria ser motivo de comemoração para os produtores, mas, por causa do excesso de produção, o preço da fruta despencou.

A produção de banana do Vale do Ribeira deve ficar em 880 mil toneladas em 2011, mas os negócios fechados nos primeiros 40 dias do ano não estão agradando os produtores. A caixa de 21 quilos de banana nanica está sendo vendida por cerca de R$ 7, mas, de acordo com os produtores, o ideal para ter lucro seria, no mínimo, por R$ 14.

Uma das explicações para o preço baixo é a alta oferta. No ano passado, nesta mesma época do ano, o agricultor Fábio Lourenço colheu dez toneladas por hectare. Este ano, foram 25 toneladas de banana por hectare. Como ele, quase todos os bananicultores do Vale do Ribeira vão dobrar ou triplicar as produções.

?Devido às perdas no passado, todo mundo canalizou para a mesma época. Todo mundo teve prejuízo por igual. Então, todo mundo recuperou igual. Infelizmente, sai a safra da banana de todo mundo junto e em uma época que a gente tem o menor consumo da fruta. Devido as férias escolares e as viagens, tem muita fruta e pouca gente para consumir?, explicou Lourenço.

A Associação dos Bananicultores do Vale do Ribeira está preocupada com a situação, principalmente do pequeno produtor. ?Ele começou a investir bastante. Conseguiu empréstimo no banco para investir no bananal, com a compra de insumos e em contratação de funcionários. Mas agora, quando ele poderia receber todo esse retorno para pagar as dívidas, ele não está tendo o retorno?, esclareceu Ronnei Lima do Nascimento, secretário da entidade.

?A esperança do bananicultor é que o preço melhore daqui para frente. No início das aulas temos cerca de 15% a 20% de banana que vai para a merenda escolar?, disse o agricultor Renê Mariano.

Uma alternativa encontrada pelos agricultores para escoar a produção foi vender uma parte da safra para as fábricas de doce por um preço ainda menor que o pago pelo mercado da fruta in natura. Pelo menos assim a safra não se perde no campo.

Fonte: g1, www.g1.com.br