Febraban lança sistema para substituir boletos bancários

Expectativa é de que sistema, que entra em operação em outubro, reduza emissões pela metade em 3 anos

A implantação do sistema de débito direto autorizado (DDA), por meio do qual os bancos pretendem substituir os boletos bancários enviados pelo correio por cobranças eletrônicas, deve reduzir pela metade a impressão de documentos em um prazo de três anos. A expectativa é da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que apresentou nesta quinta-feira, 18, a inovação, prevista para entrar em operação no dia 19 de outubro deste ano, no congresso de automação bancária CIAB.

Estima-se que atualmente sejam emitidos 2 bilhões de boletos de cobrança por ano, com um valor médio de R$ 1 mil cada. O DDA estará disponível para faturas como mensalidades escolares, planos de saúde, condomínios e financiamentos. As cobranças de concessionárias de serviços públicos não entram no sistema nesta primeira fase.

Segundo o coordenador do projeto DDA na Febraban, Leonardo Ribeiro, a adesão ao sistema será uma opção de cada cliente, e não do banco ou do cobrador. O otimismo da Febraban em relação ao serviço se justifica pela conveniência, afirma Ribeiro.

Benefícios

"Todo mundo ganha, empresas, sacados e bancos", afirmou Ademir Cossiello, diretor-executivo do Bradesco, um dos maiores operadores de cobrança do País. Ele destacou a rapidez no recebimento da cobrança com o novo sistema: "Imediatamente depois do registro desse débito pela empresa no banco isso está disponível para o cliente pagar ou agendar esse pagamento", disse. "A desculpa de que o aviso de pagamento não chegou acabou, existe a certeza da entrega da cobrança."

Outro benefício para quem recebe via DDA é a redução no ciclo de cobrança. Supondo que o cliente pague a fatura assim que a recebe, o tempo entre a emissão do documento e a liquidação leva, em média, sete dias, enquanto que com o DDA esse prazo cai para dois dias, de acordo com a Febraban.

Além disso, segundo Cossiello, o novo sistema aumenta a segurança e o sigilo na cobrança de débitos, além de reduzir "significativamente" a ocorrência de fraudes, já que elimina a participação de terceiros do processo de pagamentos das contas.

A adoção do DDA também tende a reduzir as cobranças indevidas ou não solicitadas recebidas pelos clientes, segundo Ribeiro, da Febraban. Isso porque, ao contrário do modelo tradicional, os cobradores terão de registrar os pedidos nos bancos, o que torna esse tipo de procedimento mais difícil, considerou.

Ele ressaltou também a economia com os custos postais e de impressão com a adoção do DDA, embora não haja uma estimativa de valores. "A redução de custos beneficiará principalmente o cobrador da fatura, responsável pela impressão de 60% dos boletos emitidos", avalia.

No caso do Bradesco, por exemplo, 20 milhões dos 30 milhões de boletos emitidos pela instituição ainda são impressos. "Teremos uma redução de custos na emissão, impressão e postagem dos boletos", disse Cossiello.

Existe ainda um ganho ambiental: o boleto eletrônico pode evitar o uso anual de 1 bilhão de litros de água e a emissão de dióxido de carbono na impressão das faturas.

"O novo sistema representa um ganho fantástico para o País, porque gera uma integração de forma mais racional. As transações tornam-se mais próximas e velozes, e a economia ganha muito com isso", completou o economista do Bradesco.

Opção

Caso opte pelo DDA, em vez de receber as cobranças pelo correio, o cliente terá acesso às contas a pagar emitidas por qualquer banco na tela do seu internet banking, caixa eletrônico ou pelo atendimento telefônico. "Com uma base de 170 mil caixas eletrônicos e 32 milhões de contas acessadas pela internet, existe um potencial grande para o sistema", destaca Ribeiro.

A opção de pagar ou não a fatura também é do cliente, e nada muda na relação com o banco caso o pagamento não seja efetuado, assim como já acontece na cobrança tradicional pelo correio, esclarece. Ribeiro afirma que os bancos poderão cobrar pela facilidade, mas a estratégia ficará a cargo de cada instituição.

A partir da próxima segunda-feira, os bancos estão autorizados a divulgar o sistema entre os clientes e fazer uma espécie de "pré-cadastramento" de interessados. "A partir de segunda todas as agências estão preparadas e orientadas para esclarecer as dúvidas dos nossos clientes", afirmou Cossiello, do Bradesco.

As instituições financeiras responsáveis pela emissão de 99% dos boletos emitidos no País já estão em fase de testes com a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP), responsável pelo DDA.

Custos

A implantação do sistema DDA consumirá investimentos de pelo menos R$ 100 milhões. Os custos serão arcados pela CIP, entidade formada por 42 instituições. O principal custo é o do desenvolvimento do sistema, desenvolvido pela Tivit.

A empresa recebeu R$ 20 milhões pela implantação, que durou 11 meses, e pelo menos R$ 77 milhões serão desembolsados pela CIP nos próximos nove anos de contrato. Esse valor, no entanto, pode aumentar dependendo do volume de transações realizadas pelo sistema, afirma o presidente da Tivit, Luiz Mattar. Para fazer frente à demanda, a companhia criou dois data centers, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Já o investimento que cada banco realizou individualmente para adaptar seus sistemas ao DDA não foi revelado. De acordo com dados da Febraban, o setor como um todo destinou R$ 16,2 bilhões para a área de tecnologia em 2008, dos quais R$ 6,5 bilhões foram em investimentos.

Segundo o superintendente geral da CIP, Joaquim Kavakama, o conceito do DDA não é novo, mas a maneira integrada como foi criado no Brasil, na qual o cliente pode pagar em seu banco a fatura de qualquer outra instituição, é única no mundo. "Em outros países, os sistemas são ligados a uma determinada empresa ou região", explica.

Kavakama destaca que o projeto brasileiro vem sendo muito bem recebido nos locais onde é apresentado e diz que a ideia pode, inclusive, ser exportada para outros países. "O modelo brasileiro deve se tornar um case mundial, mas o nosso grande desafio neste momento é lançá-lo", pondera.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br