FMI corta previsão de crescimento para os EUA e o Brasil

FMI corta previsão de crescimento para os EUA e o Brasil

As estimativas do organismo indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA crescerá neste ano

O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu nesta sexta-feira sua previsão para o crescimento econômico dos Estados Unidos, alertando que Washington e países europeus altamente endividados estarão "brincando com fogo" a menos que tomem ações imediatas para reduzir seus déficits orçamentários. O prognóstico para o Brasil foi reduzido para 4,1%, comparado a 4,5% no documento de abril.

No relatório regular do FMI com projeções para a economia global, ameaças maiores ao crescimento têm emergido desde o documento de abril. O Fundo citou a crise de dívida na zona do euro e sinais de superaquecimento em mercados emergentes.

As estimativas do organismo indicam que o Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA crescerá neste ano a uma modesta taxa de 2,5%, e de 2,7% em 2012. A previsão feita dois meses atrás apontava avanço de 2,8% e 2,9%, respectivamente.

As perspectivas para outros países são mistas. O FMI disse estar um pouco mais otimista com a expectativa de crescimento para a zona do euro neste ano, mas a falta de liderança política para combater a crise e o impasse para resolver os problemas orçamentários nos Estados Unidos podem gerar grande volatilidade nos mercados financeiros nos próximos meses.

"Você não pode sustentar uma economia global na qual essas importantes decisões são adiadas, porque você realmente estará brincando com fogo", disse Jose Vinals, diretor do departamento monetário e de mercados de capital do FMI. "Claramente entramos agora numa nova fase de crise (global) que eu chamaria de fase política da crise", afirmou em entrevista em São Paulo, onde as previsões foram divulgadas.

Nos EUA, os problemas políticos incluem as divergências com relação ao aumento do teto da dívida. Temores de que a maior economia do mundo possa entrar em "default"(não pagamento da dívida), mesmo que por um breve momento, vêm sacudindo os mercados. A Fitch Ratings, por exemplo, disse que mesmo um default "técnico" já colocaria em risco o rating "AAA" do país.

Enquanto isso, a Grécia está à beira de uma moratória, conforme autoridades da zona do euro não chegam a um denominador comum sobre um segundo pacote de ajuda a Atenas. Com greves e protestos varrendo a nação dos Bálcãs, a turbulência política se somou à incerteza, o que tem alimentado temores de que o governo não conseguirá apertar os cintos o bastante para reduzir seus enormes déficits.

"Se você fizer um lista dos países do mundo que possuem os maiores desafios internos para restaurar suas finanças públicas a uma situação razoável em termos de níveis de dívida, você encontrará quatro nações: Grécia, Irlanda, Japão e Estados Unidos", disse Vinals.

Mercados emergentes superaquecendo?

Temores de contágio na zona do euro têm derrubado as bolsas de valores globais nos últimos dias, com outros países também vulneráveis, como Irlanda e Portugal, sofrendo pressão. O FMI elevou sua estimativa de crescimento para a zona do euro em 2011 a 2%, contra 1,6%. Para 2012, a expectativa é de que a economia do bloco avance 1,7%, mudança marginal ante o crescimento de 1,8% previsto no relatório anterior. O organismo aumentou o prognóstico de crescimento para a economia alemã, a maior da Europa, para 3,2%, ante 2,5%. Em 2012, a alta do PIB deve desacelerar a 2%.

As previsões para os maiores mercados emergentes ficaram estáveis ou recuaram. Enquanto a estimativa de crescimento para o PIB da China em 9,6% foi mantida. China e Brasil, junto com Rússia, Índia e África do Sul, formam o Brics, grupo de nações emergentes cuja forte expansão econômica tem superado recentemente a dos países desenvolvidos.

O robusto crescimento nos mercados emergentes tem levado a apertos monetários, com elevação nas taxas de juros e dos depósitos compulsórios, apesar de muitos países desenvolvidos ainda manterem sua política bastante expansionista com o objetivo de impulsionar o fraco crescimento. O FMI alertou que muitas nações emergentes precisam de mais aperto monetário. Na China, por exemplo, a elevada inflação implica taxas de juros reais negativas.

Alguns mercados emergentes têm hesitado em implementar aperto monetário muito forte, temendo que isso possa enfraquecer o crescimento econômico ou atrair fluxos de capital especulativo que poderiam valorizar ainda mais suas moedas.

Fonte: Terra, www.terra.com.br