Estados Unidos anunciam concordata da GM

Governo americano controlará 60% do capital da empresa

O governo dos EUA anunciou neste domingo (31) que a montadora General Motors irá pedir concordata nesta segunda, abrindo um processo que durará entre 60 e 90 dias e que resultará no fechamento de 11 das suas fábricas.

No total, a administração federal irá injetar na companhia US$ 50 bilhões, sendo que US$ 20 bilhões já foram liberados, e irá controlar 60% do capital da empresa. Já o governo canadense concederá um empréstimo de US$ 9,5 bilhões em troca de 12% de participação acionária.

O jornal ?Wall Street Journal? já havia adiantado que o pedido de concordata será protocolado no Tribunal de Falências de Nova York nesta segunda às 9h (horário de Brasília). Al Kock, de 67 anos, conduzirá o processo de reestruturação da companhia.

Koch, um dos diretores da consultoria AlixPartners e especialista em reestruturar empresas, supervisionará a divisão da montadora em duas partes - a "Nova GM", controlada majoritariamente pelo governo, e uma outra companhia.

Segundo as fontes, ele será subordinado ao executivo-chefe da GM, Frederick "Fritz" Henderson, mas também deve responder diretamente ao conselho de diretores da companhia. No caso de uma "Nova GM" ser criada após o pedido de concordata, Koch comandará uma equipe encarregada de vender ativos da "Velha GM" - incluindo as marcas Saturn, Hummer, Saab e Pontiac.

Koch, que foi um dos responsáveis pela reorganização do Kmart após a concordata, estaria reunindo-se regularmente com os diretores da GM desde dezembro. Ele ajudou a desenvolver os planos de viabilidade enviados pela montadora ao governo norte-americano, negociou com os acionistas e detentores de dívidas da companhia e preparou o esquema de venda dos ativos.

Como principal consultor da Alix para a GM, ele também preparou uma análise delineando as chances de recuperação para os credores caso a montadora fosse liquidada. A análise revelou que "não haveria recuperação para os credores que não possuem seguro", afirmou uma fonte.

No caso do Departamento do Tesouro dos EUA, a recuperação seria "significativamente prejudicada", segundo a fonte ouvida pelo Journal.

A equipe de Koch incluirá Ted Stenger, que trabalhou na Kmart e no colapso da fornecedora de autopeças Dana Automotive; Stefano Aversa, presidente das operações europeias da Alix, e John Hoffecker, especialista da indústria automobilística.

Koch "parece ser um homem sólido com excelente experiência na indústria. E trabalha para uma grande empresa, então provavelmente receberá um bom apoio", disse Edward Altman, professor da Universidade de Nova York especializado em concordatas.

No entanto, Altman alerta que as condições econômicas desempenham um papel fundamental no sucesso de reestruturações corporativas após processos de concordata, o que pode trabalhar contra a reorganização da GM. As informações são da Dow Jones.

Fonte: g1, www.g1.com.br