Grupo tenta incentivar garotas a entrar no mundo dos negócios

Grupo tenta incentivar garotas a entrar no mundo dos negócios

A disciplina é oferecida por um grupo sem fins lucrativos chamado "Invest in Girls"

Algumas semanas antes do término do ano letivo, fui à escola Westover, no Connecticut (EUA), para assistir a uma aula cujo objetivo é incentivar garotas adolescentes a conhecer o mundo dos negócios e a considerar a possibilidade de fazer carreira na área financeira.

A disciplina é oferecida por um grupo sem fins lucrativos chamado "Invest in Girls" (Invista em Garotas), que testa seu programa em três escolas particulares americanas: Westover, Milton Academy e Middlesex School.

De acordo com a fundadora e presidente do grupo, Dune Thorne, as finanças são fundamentais para que as estudantes organizem suas economias e tomem decisões de maneira mais responsável.

"Em outros programas de alfabetização financeira, vimos que falta a presença das finanças como elemento fundamental, como uma ferramenta que "abre a cabeça" e revela o mundo de uma outra maneira", afirma.

Mas por que focar em meninas? Elas são mais ou menos hábeis do que os meninos de sua idade quando se trata de entender finanças?

A organizadora do "Invest in Girls" afirma que o programa enfatiza técnicas de aprendizagem que funcionam melhor com garotas. "Essas meninas serão líderes e queremos ajudá-las a ter conhecimentos de finanças que serão necessários no futuro", diz Thorne.

O currículo mistura ensino em sala de aula, estudos em campo e mentoreamento (práticas com a ajuda de mentores). Todas as aulas são dadas por mulheres que atuam no setor financeiro. As matérias do primeiro ano apresentam discussões sobre gastos, poupança e investimentos.

A executiva-chefe da "Invest in Girls", Emilie Leibhoff, disse que o grupo organiza estudos em campo duas vezes ao ano para as alunas verem mulheres no ambiente de trabalho e aprenderem a fazer "networking".

"É isso o que queríamos para as meninas: que elas tivessem uma ideia melhor do que realmente fazem as mulheres que atuam em negócios", diz Ann Polina, diretora da escola Westover.

Cada garota foi posta em contato com uma profissional da área financeira para acompanhar o seu dia a dia.

A estudante Cailee Tallon, de Westover, conta que se interessou pelo programa porque pretende estudar medicina e sabe que entender de finanças é essencial. "Eu não quero me formar na faculdade sem saber como administrar meu dinheiro."

Sua mentora, Lia Eddy, analista de empréstimos do banco Admirals, de Boston, descobriu que Cailee está igualmente interessada nos aspectos práticos de como pagar uma graduação em medicina. "Ela quer saber como conseguir um empréstimo para financiar a faculdade", diz.

"IN LOCO"

As alunas também tiveram a oportunidade de ver as mentoras em seus locais de trabalho. Foi o que Jennifer DiMario Sabatini, vice-presidente da Loomis Sayles, em Boston, fez por sua mentoreada, Gabby DeBartolomeo, que agora está começando a pensar na possibilidade de trabalhar com negócios.

"Aprendi o que fazer com o dinheiro quando você tem uma renda", contou a aluna. "Agora, tudo o que eu ganho como babá coloco em uma poupança."

Sabatini disse que as perguntas de Gabby, como "o que é liquidez?", fizeram-na refletir sobre a importância de ensinar adolescentes sobre finanças. "A gente vê estatísticas de jovens assediados por empresas de cartões de crédito quando estão na faculdade e que terminam a graduação já endividados. Percebemos a necessidade de educá-los mais cedo sobre questões financeiras."

Esse aprendizado pode acabar sendo um fator determinante para as carreiras que esses jovens escolherão.

Fonte: Folha.com