Mantega afirma que economia brasileira "ja caminha com as próprias pernas"

Mantega afirma que economia brasileira "ja caminha com as próprias pernas"

Ministro diz que não vê necessidade de subir juros no momento

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, voltou a afirmar nesta terça-feira (2) que a não há mais necessidade de estímulos fiscais para a indústria, tais como a redução da cobrança do Impostos sobre Produtos Industrializados (IPI) para os produtos da linha branca, que terminou no último domingo.

De acordo com o ministro, a decisão de não prorrogar novamente a medida se deu devido à retomada do ritmo de crescimento da economia, o que, segundo ele, estava causando “euforia exagerada”.

“Julgamos que era o momento de deixar os subsídios se extinguirem de acordo com o cronograma. Havia muitas notícias de aquecimento da economia, o que estava gerando uma euforia exagerada. Achamos por bem optar pelo término dos subsídios à linha branca no fim de semana. Algumas pessoas ficaram tristes, mas era o que tinha sido combinado”, afirmou ele em evento que reúne empresários em São Paulo.

"Foi muito bom [o término do estímulo] porque acalmou o ânimo daqueles que já queriam subir juros, porque a economia já estaria aquecida. Vamos devagar com o andor porque o santo é de barro", disse. Segundo Mantega, o PIB da indústria deve registrar expansão de 7% em 2010.

Blindagem em ano eleitoral

O ministro reforçou sua aposta em um crescimento da economia para este ano entre 5% e 5,5%. Entre os fatores que devem impulsionar o crescimento em 2010, ele destacou a demanda interna e o crédito, que devem crescer 7,3% e10% no ano, respectivamente, de acordo com a previsão do ministro.

Mantega também citou investimentos que devem ser gerados em função de projetos como o pré-sal, a construção do trem bala, além de eventos como a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Segundo o ministro, o governo ficará atento para garantir que o momento de tranquilidade econômica vivido pelo Brasil não seja perturbado por eventuais turbulências do ano eleitoral.

“Vamos blindar a economia para o ano da eleição. O governo não vai mudar sua conduta porque é um ano eleitoral, vamos cumprir nossas metas de responsabilidade fiscal e responsabilidade monetária. Se houver risco de inflação, o Banco Central vai elevar os juros. Tomara que não o faça, né Meirelles?”, disse o ministro, se dirigindo ao presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, que se encontrava na plateia.

Juros

Mantega reiterou que não há necessidade de aumento de juro neste momento e que o repique recente da inflação é típico de início de ano. "Se for preciso, os juros serão aumentados, mas não convém aumentá-los inutilmente. Acho que não há essa necessidade neste momento", disse ele a jornalistas após palestra a empresários em São Paulo.

Mantega reforçou que devem ser cumpridas as metas de 4,5% para a inflação e de 3,3% para o superávit fiscal. Ele destacou também a importância do papel do BNDES durante a crise. Segundo ele, o banco recebeu injeção de R$ 100 bilhões para ajudar empresas em 2009 e deve receber mais R$ 80 bilhões este ano.

Fonte: g1, www.g1.com.br