IBGE: Com consumo cada vez menor, indústria aprofunda queda

A queda de 2,9% da indústria em abril na comparação com o mesmo mês de 2011 foi a oitava taxa negativa consecutiva.

Diante de fatores como menor consumo doméstico e estoques elevados, a indústria aprofundou seu ritmo de queda nos primeiros quatro meses deste ano, quando registrou uma perda de 2,8%. No último quadrimestre de 2011, a redução havia sido de 1,8%, segundo o IBGE.



Para André Macedo, gerente da Pesquisa Industrial Mensal, a indústria vive "um momento de menor dinamismo" desde o segundo trimestre do ano passado, mas que se intensificou neste ano.

"Há claramente uma trajetória de declínio da produção interna. É um movimento que se dá de forma bastante disseminada entre os setores."

A queda de 2,9% da indústria em abril na comparação com o mesmo mês de 2011 foi a oitava taxa negativa consecutiva. Dos 27 setores pesquisados, 13 tiveram retração.

Os motivos das perdas mais intensas neste ano, diz, são o menor ritmo do consumo interno provocado pela inadimplência crescente, forte concorrência com importados e redução das exportações por conta da desaceleração do mercado externo diante da crise. A recente alta do dólar, afirma, não rebateu positivamente ainda na indústria.

Além disso, diz, muitos setores acumularam estoques ecessivos, o que impede uma retomada da indústria. É o caso de automóveis, cuja produção caiu 14,9% no acumulado deste ano até abril na comparação com o mesmo período de 2011.

Os estoques de veículos estão 16% superiores neste ano, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automores). A pressão do setor levou o governo a reduzir o IPI para automóveis.

Macedo disse, porém, que não houve tempo ainda de a pesquisa capturar o efeito do incentivo fiscal, que, em outros momentos, ajudou a impulsionar a produção de automóveis. Já o corte de IPI para eletrodomésticos da linha branca, definido no fim de 2011, já surtiu efeito: a fabricação destes bens cresceu 9% de janeiro a abril em relação ao mesmo período de 2012.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br