Inflação e dívidas passadas elevaram o calote no comércio em julho

O avanço supera todas as taxas mensais para meses de julho desde 2010.

A inadimplência voltou a disparar em jullho, confirmam diferentes indicadores do mercado divulgados ontem. Com a combinação de inflação alta e elevado nível de endividamento das famílias, o brasileiro tem mostrado dificuldade para colocar as contas em dia. Segundo o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), os calotes aumentaram 4,43% no mês passado frente a igual período de 2013. Em relação a junho, a alta foi de 0,42%.


O avanço supera todas as taxas mensais para meses de julho desde 2010. A Serasa Experian, por sua vez, apurou um atraso nos pagamentos 11% superior nessa base de comparação. Pelas contas da Boa Vista SCPC, a inadimplência cresceu 5,3% em julho de 2014, contra o mês anterior. No acumulado de 2014 (janeiro a julho), os registros de inadimplentes subiram 2,7% sobre mesmo período do ano passado, com valor médio das dívidas em julho de R$1.128,85.

“A carestia está elevada e minhas despesas estão maiores. Faço de tudo para honrar os compromissos, mas está cada vez mais difícil”, lamentou o servidor público Fábio Mesquita, 51 anos. Ele conta que sua renda familiar, de R$ 4,5 mil, está quase toda comprometida. Depois de atrasar duas prestações do carro, total de R$ 2,2 mil, ficou inadimplente. Mas receia que só vai regularizar pendências em setembro, após quitar empréstimo que tomou há um ano, de R$ 17 mil, para cobrir despesas de um acidente de trânsito. “Matriculei minha filha em colégio público, mas continuo no aperto”, disse.

O menor ritmo da economia e questões conjunturais são apontados por especialistas como os principais vilões para o aumento dos calotes. “A inflação, que em 12 meses ainda está alta, atinge a capacidade do cidadão de pagar as contas. Os juros estão elevados e isso puxa as dívidas para cima. Quem usa o rotativo do cartão e cheque especial enfrenta maiores encargos ”, ponderou Luiz Rabi, economista da Serasa.

Fonte: Correio Braziliense