Investimentos na poupança ficam mais vantajosos com nova Selic

A redução da taxa básica de juros (Selic) para 9% ao ano tornará mais interessante os rendimentos das cadernetas de poupança

A redução da taxa básica de juros (Selic) para 9% ao ano, anunciada nesta quarta-feira pelo Banco Central, vai tornar ainda mais interessante os rendimentos das cadernetas de poupança frente aos fundos de renda fixa, segundo levantamento divulgado nesta quinta-feira (19) pela Associação Nacional de Executivo de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Segundo Miguel Ribeiro de Oliveira, diretor executivo de estudos financeiros da associação, a caderneta de poupança passa a ficar mais vantajosa uma vez que esta modalidade de investimento tem seu ganho garantido por lei (TR + 6,00% ao ano) e não sofre qualquer tributação, diferentemente dos fundos de renda fixa que possuem tributação do imposto de renda sobre seus rendimentos, sendo maior esta tributação quanto menor for o prazo de seu resgate, além de ter cobrança da taxa de administração cobrada pelos bancos.

Segundo a associação, quanto menor o prazo de resgate da aplicação bem como quanto maior for a taxa de administração cobrada pelo banco maior vai ser a vantagem da poupança frente aos fundos.

Nas simulações e projeções feitas pela Anefac, com a Selic atual a poupança só perde para os fundos, independente do prazo de resgate, quando a taxa de administração cobrada pelos fundos for de 0,50% ao ano ou inferior - normalmente para aplicações de valores maiores acima de R$ 50 mil. Mesmo nestes casos, segundo a associação, quando esta aplicação tiver o seu prazo de resgate de até 6 meses, com a incidência da maior alíquota do Imposto de Renda, que é de 22,50%, a poupança é a melhor alternativa.



Para o cálculo, a Anefac considerou custo da taxa de administração cobrada pelos bancos entre 0,50% ao ano até 2,50% ao ano. Foi considerada nas simulações a rentabilidade mensal da poupança em 0,54% ao mês. Somente nos casos aonde a rentabilidade dos fundos é superior a 0,55% ao mês é que os fundos se tornam melhor alternativa de investimento.

"Este cenário e as prováveis novas reduções da taxa básica de juros (SELIC) deverão apressar prováveis mudanças nas regras da poupança para evitar migração de recursos dos fundos para a poupança e com isso evitar os problemas que esta situação trará ao sistema (excesso de recursos para a poupança de um lado e dificuldades de financiamento da dívida pública de outro)", projeta a Anefac.

Entre as possíveis mudanças, segundo a associação, estaria o rendimento da poupança atrelado à variação da taxa básica de juros ou uma tributação da poupança como já ocorre com os fundos de investimentos (imposto de renda).

Fonte: G1