Levantamento aponta que ações de construção têm maior alta no semestre

Medidas de estímulo ao setor impulsionaram ganhos, segundo analistas

A volta do investidor estrangeiro ao mercado de ações brasileiro e o reflexo dos subsídios e incentivos fiscais do governo federal às ações do setor de construção civil foram destaques entre os desempenhos positivos das empresas que têm papéis negociados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) durante o primeiro semestre de 2009, segundo analistas.

No total, o valor de mercado (que equivale ao preço de cada papel da empresa multiplicado pela quantidade de acionistas) das empresas dos 23 setores analisados pela consultoria Economatica cresceu 31,37% no primeiro semestre do ano até a segunda-feira; o principal índice da bolsa paulista, o Ibovespa, acumula alta de cerca de 39% no mesmo período.

Construção em alta

O setor de construção civil foi o que registrou maior valorização nos primeiros seis meses do ano: 87,31% até segunda-feira (29), segundo levantamento realizado pela consultoria Economatica a pedido do G1. Foram considerados apenas setores com mais de uma empresa representadas

Ao todo, o valor de mercado de 27 empresas ligadas ao segmento que tiveram papéis negociados no período saltou de R$ 15,335 bilhões em 31 de dezembro do ano passado para R$ 28,725 bilhões no dia 29 de junho, penúltimo pregão do mês. .

Segundo José Góes, da consultoria Wintrade, ações do governo como o programa "Minha casa, Minha vida", e a redução do IPI para mais de 20 grupos de produtos de materiais de construção, como revestimentos, tintas e cimento, foram muito bem recebidas pelo mercado financeiro.

"As ações do governo têm se refletido no mercado de ações. Esses setores que o governo optou por ajudar foram os setores mais afetados pela crise e os papéis estavam baratos. Quando houve perspectiva de que o setor ia melhorar com esses incentivos, tiveram um impulso no desempenho", diz.

Estrangeiros na bolsa

Para Gustav Gorski, economista-chefe da Geração Futuro Corretora, a volta do investidor estrangeiro ao mercado brasileiro após o auge da crise foi principal fator responsável pelos ganhos registrados pelos setores na primeira metade do ano. Segundo dados da Bovespa, até o dia 24 de junho a bolsa paulista acumula entrada de R$ 8,5 bilhões de dinheiro de investidores do exterior.

Efeito China

Outro ponto comum observado em alguns dos setores que se destacaram no período, é a melhora dos resultados em razão do aumento da demanda na China; é o caso das empresas de papel e celulose (cujo valor de mercado subiu 79,45%, "inflado" também pela fusão da Aracruz com a VCP) e de siderurgia e metalurgia, que acumula valorização de 46,99%.

"Houve recuperação de alguns preços por conta da demanda da China, porque o resto do mundo ainda sofre

Petróleo

A recuperação nos preços do petróleo - que saíram do patamar próximo aos US$ 40 no ano passado para US$ 70 em junho - também estimulou os ganhos das empresas ligadas ao setor de petróleo e gás, que tiveram valorização de 49,38%.

De acordo com análise da corretora SLW, a recuperação dos preços elevou o ânimo do mercado e aumentou a expectativa dos investidores em torno da definição do marco regulatório de exploração do óleo do pré-sal, a ser divulgado pelo governo federal.

"Com esse preço, o pré-sal volta a ser atrativo como investimento. Além disso, o setor já era beneficiado pelo plano de investimentos anunciado pela Petrobras, que prevê US$ 174 bilhões até 2013. Toda a cadeia será beneficiada", diz a analista Kelly Trentin.

Fonte: g1, www.g1.com.br