Lojas esperam vendas em alta mesmo sem IPI reduzido

Comerciantes apostam em fim de ano com lojas cheias de consumidores

O fim da isenção do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) aumentou os preços dos eletrodomésticos, mas não diminuiu as vendas, e o comércio prevê um fim de ano com as lojas cheias de clientes.

Algumas lojas do setor tiveram aumento de 60% nas vendas desde o início do ano. No mesmo embalo estão as lojas de materiais de construção, que contam com o IPI mais baixo até o fim do ano.

Nesse ritmo, os comerciantes do setor esperam fechar o ano com um crescimento bastante positivo. O empresário Hiroshi Shimuta prevê aumento de 14% nas vendas.

- Eu diria que crescemos na ordem de 12% ou 14% enquanto a economia como um todo em 2010 deverá crescer por volta de 7%. Crescemos o dobro do Brasil como um todo - isso dá uma China e meia nesse contexto.

Três fatores principais contribuem com o bom momento do comércio. Maior disponibilidade de linhas de crédito, aumento na renda média do trabalhador brasileiro e prazos mais longos para pagar.

Segundo projeção da CNC (Confederação Nacional do Comércio) divulgada na terça-feira (19), o comércio deve encerrar o ano com crescimento de 10,4% nas vendas do varejo, quase o dobro dos 5,9% registrados em 2009.

A intenção de comprar também aumentou para o maior patamar do ano, de acordo com a CNC. A pesquisa mostra que duas em cada três famílias (65,3%) devem adquirir algum tipo de bem durável ? eletrodomésticos, automóveis e eletrônicos, por exemplo.

Apesar de todo o otimismo, os especialistas alertam para um detalhe importante: o endividamento dos consumidores ainda está alto. Segundo a empresa de análise de crédito Serasa Experian, o risco de o consumidor atrasar os pagamentos cresceu 0,4%, para 80 pontos no terceiro trimestre. A pesquisa é medida em uma escala de 0 a 100: quanto maior o número, melhor a qualidade de crédito e, portanto, menor a chance de calote.

O economista Roberto Vertamatti diz que o brasileiro compromete 33% do orçamento com dívidas, quando o limite máximo deveria ser de 25%. Ele recomenda cautela nos gastos de fim de ano.

- Logo vem janeiro, fevereiro e março e há gastos expressivos com IPTU [Imposto Predial Territorial Urbano], IPVA [Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores], escola, matrículas. Então, consuma o que vai precisar consumir, mas pense um pouco nos gastos que virão nos meses seguintes.

Fonte: R7, www.r7.com