Lotéricas recusarão pagamento de contas amanhã em protesto

Lotéricas recusarão pagamento de contas amanhã em protesto

Os funcionários pedem melhores remunerações.

Casas lotéricas de todo o país não receberão o pagamento de contas neste sábado (29) e no próximo (4). O protesto é uma forma de pressionar a Caixa Econômica Federal a apresentar melhorias na remuneração pelos serviços bancários oferecidos e no sistema eletrônico de apostas.

Além das paralisações aos sábados, durante o período de amanhã até o dia 4 de agosto não será possível fazer a abertura de contas-correntes e de poupanças nas unidades lotéricas.

A decisão foi tomada em assembleia realizada pela Febralot (Federação Brasileira das Empresas Lotéricas) no último dia 11, em Brasília. Na ocasião, a federação enviou um documento à Caixa em que afirmava ter havido nos últimos 11 anos uma maxidesvalorização das tarifas recebidas por cada transação bancária e no repasse às lotéricas para cada bilhete de loteria vendido.

Um estudo encomendado pela categoria estimou que, no período de agosto de 2001 a julho deste ano, os salários dos funcionários cresceram 157%, enquanto as tarifas recebidas da Caixa pelos lotéricos tiveram aumento de apenas 59%. De acordo com os empresários, dos 21 serviços prestados, 16 são deficitários, ou seja, dão prejuízo.

É reivindicada, ainda, a atualização técnica do sistema de apostas. Em nota, o Sincoesp (Sindicato dos Lotéricos de São Paulo) declarou que o sistema apresenta "sinais de inconsistência" --ou seja, há momentos em que fica fora do ar, impossibilitando pagamentos e apostas.

O problema é mais grave no início de cada mês, quando se concentram os pagamentos de contas pelos clientes.

Uma nova reunião entre a Caixa e os representantes da categoria está agendada para o dia 3 de agosto.

A assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal afirmou que a medida não deverá trazer prejuízo aos clientes, que contam com meios alternativos para pagamento de boletos e abertura de contas.

O diretor de estratégia e distribuição da Caixa, Paulo Nergi, afirmou que a paralisação não afeta o planejamento da empresa, definido desde fevereiro.

"Temos uma série de medidas já definidas que apresentaremos na próxima reunião tanto para melhoria da remuneração, quanto para a criação de novos produtos que garantam a sustentabilidade dessas empresas", disse Nergi.

Quanto à atualização do sistema, Nergi afirmou que a estratégia da Caixa também continuará seguindo normalmente.

"Temos uma equipe técnica permanente para solução desses problemas, que são pontuais. Nos últimos meses tivemos recorde de 1.504 transações por segundo. Temos certeza que todas as medidas que vêm sendo tomadas nos encaminham para a total estabilização do sistema."

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br