Lula diz que emprestar ao pobre é um grande negócio

Presidente comemorou avanço dos programas de microcrédito para empresários rurais

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a expansão do microcrédito no país e afirmou que emprestar dinheiro para os pequenos empresários é um grande negócio no Brasil. Em seu programa semanal de rádio, o Café com o Presidente, Lula falou do projeto de microcrédito rural AgroAmigo, que já emprestou R$ 1,3 bilhão em cinco anos.

- Nós emprestamos, através do BNB (Banco do Nordeste do Brasil), R$ 1,3 bilhão para um milhão de pequenos agricultores. O sucesso é extraordinário. Significa que você está garantindo que um milhão de pessoas trabalhem por conta desse programa de crédito.

Para o presidente, emprestar dinheiro para as pessoas mais pobres deste país é importante, porque o retorno é imediato.

- Às vezes, você empresta R$ 1 bilhão para um empresário só e ele gera apenas 200 ou 300 empregos. E o que é importante é que com o AgroAmigo, com a ajuda ao pequeno, nós temos apenas 3% de inadimplência em uma demonstração que vale aquela máxima que dizia que o pobre é bom pagador, porque ele tem como patrimônio maior o seu nome e a sua cara.

Em 2002, o programa tinha emprestado R$ 262 milhões. No ano passado, o BNB fechou empréstimos de R$ 22 bilhões e tem pedidos para mais R$ 10 bilhões, segundo dados do presidente.

Microcrédito recorde

Pesquisa do BC (Banco Central) mostra que os bancos nunca ofereceram tanto dinheiro para os interessados no microcrédito, voltado à baixa renda, como agora. Em abril, o volume de recursos ofertados chegou a R$ 1,6 bilhão.

Segundo regulamentação do BC, os bancos têm que destinar 2% dos depósitos à vista ao microcrédito ou mantê-los "congelados", sem uso. Em abril, desse montante (R$ 2,7 bilhões), as instituições financeiras emprestaram 62% ? um recorde. Um ano antes, em abril de 2009, a oferta foi de 56%.

Por mês, são assinados cerca de 100 mil contratos de microcrédito no Brasil e o valor médio dos empréstimos é de R$ 1.300. O microcrédito não pode ser usado para tapar buracos nas finanças, mas no investimento em algum tipo de negócio.

O brasileiro tem cada vez mais recorrido a esses recursos de olho na possibilidade de ser dono do próprio negócio e não depender do humor do mercado de trabalho. Uma das motivações é o crescimento do poder aquisitivo da baixa renda - público-alvo dos pequenos negócios que se proliferam pelas periferias das cidades.

Fonte: R7, www.r7.com