Empregadas domésticas puxaram inflação em 2012, afirma IBGE

Em 2012, salários aumentaram 12,73%; jovens preferem outros empregos. "O poder de negociação desses profissionais é grande", diz coordenadora

O Brasil tem o maior número de empregados domésticos no mundo - 7,2 milhões, segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) - e o brasileiro paga cada vez mais por esse serviço, mostra os dados divulgados nesta quinta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A inflação oficial de 5,84% em 2012 e, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi puxada principalmente pelos salários dos empregados domésticos, que aumentaram no ano 12,73%.

Segundo Eulina Nunes dos Santos, coordenadora da Coordenação de Índices de Preços do IBGE, este foi o principal impacto na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação no país.

Para Eulina, a explicação está no próprio mercado de trabalho. ?O rendimento médio do empregado doméstico claramente vem ganhando em relação ao demais profissionais. O poder de negociação desses profissionais é grande, porque, com a saída das mulheres para o mercado de trabalho, a necessidade do empregado doméstico aumentou?, explicou.

A coordenadora informa que a demanda por empregados domésticos é bem maior que a oferta, uma vez que o mercado de trabalho vem apresentando melhora, com mais vagas de emprego, o que leva os jovens, principalmente, a preterirem o trabalho doméstico como opção de trabalho. Por outro lado, o aumento da renda das famílias tem permitido oferecer salários mais atrativos para uma mão de obra que se torna escassa.

Segundo Eulina, enquanto o salário mínimo em dez anos aumentou 259,17%, o salário do empregado doméstico andou perto, com alta de 239,57%.

O mercado de trabalho também é a explicação para outro item que pesou muito na inflação de 2012: a refeição fora de casa, que registrou alta de 9,54%. Em dez anos, comer em restaurantes ficou 134,58% mais caro, bem acima da inflação acumulada no período, de 76,61%.

?Na medida em que mais pessoas saem de casa para trabalhar, tem mais gente comendo fora. Além disso, os trabalhadores estão aumentando sua renda. Assim, o dono de restaurante, que teve seus custos aumentados, sente que pode repassá-los ao consumidor?, explica Eulina.

Mas comer em casa também ficou mais caro: 10,04% em relação ao ano passado, acumulando uma alta de 77,72% em dez anos.

?O grupo dos alimentos e bebidas desde 2010 pressiona muito a despesa das famílias, é o principal grupo no orçamento, com uma alta de 90,25% em dez anos contra um IPCA 76,61%. E apresentou as maiores altas no último trimestre de 2012?, explicou Eulina.

Alimentos básicos da mesa do brasileiro como arroz, feijão, batata, alho, cebola, óleo de soja, por exemplo, são os que tiveram as maiores altas no ano. Isso porque, segundo Eulina, a seca prejudicou lavouras encarecendo os produtos e algumas culturas tiveram sua área de plantio reduzida, devido aos preços pouco convidativos para o produtor.

Belém registrou a maior alta nos alimentos

Quem mais sofreu no bolso para manter seus hábitos alimentares foram os paraenses. Em Belém o grupo de alimentos teve alta de 14,32% em 2012, contra 5,59% em 2011. Foi a região onde a alta de alimentos foi maior. Isso por conta da farinha de mandioca e do açaí, alimentos obrigatórios dos paraenses. Em 2012, a farinha de mandioca subiu 91,51%, a maior alta entre os alimentos pesquisados, quando em 2011 teve queda de 3,67%. De novo, por conta da seca que prejudicou as safras.

Por outro lado, o que ajudou a conter a inflação foi o automóvel, por conta da redução de IPI, que entrou em vigor em abril de 2012 com sucessivas prorrogações. O preço do carro usado teve queda de 10,68% e o do carro novo, queda de 5,71%. Também a variação negativa do etanol, de 3,84%, ajudou a desacelerar o IPCA, assim como a gasolina com -0,41%.

Outra ajuda para refrear a inflação veio do estado de São Paulo, onde não houve aumento de tarifas de ônibus urbano e houve queda nas tarifas de energia.

Fonte: G1