Leilões próximos: o Brasil está perto de usar mais a energia solar

Leilões próximos: o Brasil está perto de usar mais a energia solar

o Brasil não figura na lista dos dez países do mundo que mais utilizam essa energia limpa e renovável

Há mais a aprender com a Alemanha, além da renovação do futebol. Os alemães, por exemplo, usam mais intensamente a energia solar. À frente dos demais países, a Alemanha tem hoje uma capacidade instalada de 32.411 MW de energia gerada em painéis solares fotovoltaicos e coletores térmicos - o dobro da Itália (16.361 MW), que ocupa o segundo lugar, segundo a Associação Europeia da Indústria Altovoltaica. Nesses países e no Japão o impulso à energia solar se deve ao temor de desastres nucleares. Mas também em outros países - como China e EUA - cresce o interesse pela fonte solar.

Apesar do alto grau de insolação, o Brasil não figura na lista dos dez países do mundo que mais utilizam essa energia limpa e renovável, que não agrava o aquecimento global. Em outros países, com baixos graus de insolação, a energia solar requer subsídios. O atraso do Brasil nesse campo se deve ao custo de produzir energia solar, o que a tornaria pouco competitiva entre as fontes alternativas. Com os avanços tecnológicos, a situação tende a mudar.

Em 2013 o governo autorizou a participação de projetos de energia solar em dois leilões, mas não houve interessados, porque o preço-teto era de R$ 140,00 o MWh. Agora, dois novos leilões estão previstos, em setembro e em outubro - este só para energia solar. Empresas nacionais e estrangeiras ouvidas pelo Estado (14/6) estudam participar: 200 projetos foram cadastrados para o primeiro leilão. Motivo: o preço-teto médio cogitado passou a R$ 250,00 o MWh, tido como atraente. A expectativa é de contratar de 500 MW a 1 GW.

A legislação prevê a necessidade de licença ambiental, o que não parece problema no caso da energia solar. A preocupação deve-se restringir ao uso do solo. Em edifícios modernos ou na zona rural, coletores solares já são usados, principalmente para aquecer a água. A instalação de painéis fotovoltaicos para gerar energia exige espaços em áreas topograficamente apropriadas. Pode exigir desapropriações, que devem ser previamente pagas. Os parques fotovoltaicos também precisam de água para esfriamento, e são viáveis o reuso e a reciclagem de chuvas.

Tudo dependerá, ainda, da existência de linhas de transmissão. Para evitar desperdícios, como os que agora se verificam com parte do parque eólico instalado, os parques fotovoltaicos devem ser planejados de modo que a sua conclusão coincida com a de linhas de transmissão, para que a energia solar chegue, de fato, ao consumidor.

Fonte: Estadão, www.estadao.com.br