Parcela financiada de imóveis sobe para 62% do total

Em 2009, havia ficado em 61,1%, patamar bem acima do contabilizado um ano antes (58,6%).

As facilidades de acesso ao crédito e o maior interesse dos bancos no mercado imobiliário vêm elevando a parcela financiada da moradia e estão antecipando o sonho da casa própria para muitas famílias.

O percentual atingiu 62% na média do país, no acumulado deste ano até outubro, de acordo com a Abecip (Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança), que engloba todos os empréstimos feitos pelos bancos com recursos da caderneta.

Em 2009, havia ficado em 61,1%, patamar bem acima do contabilizado um ano antes (58,6%). Os números registrados em 2004 (46,8%) e em 2005 (47,8%) mostram que os clientes davam mais da metade do valor da compra logo na entrada.

"Isso inviabilizava o acesso das famílias ao crédito habitacional", diz Jorge Hereda, vice-presidente de governo da Caixa Econômica Federal, principal agente financiador de habitação no país.

Editoria de Arte/Folhapress

O percentual médio emprestado atualmente, no entanto, ainda está bem abaixo do limite oferecido em cada banco, que chega a 90% nas duas instituições financeiras públicas (ver quadro acima).

Na opinião de Hereda e do presidente da Abecip, Luiz Antônio França, a média de financiamento poderia subir para 80% do valor do imóvel sem trazer risco ao sistema.

"Ainda há margem para aumentar de forma sustentável. Uma das lições da crise econômica é manter em até 80%", afirma o executivo.

"Uma pessoa que dá 20% de entrada no imóvel vai estar preocupada em honrar essa prestação", completa o vice-presidente da Caixa. Para ele, é preciso observar, ao avaliar o sistema, como está sendo feita a análise de risco do cliente.

"Lá fora se terceirizou isso de uma maneira irresponsável, com condições de financiamento que levaram ao que aconteceu", diz, referindo-se principalmente ao mercado norte-americano.

CONFIANÇA

No Brasil, o percentual emprestado para a compra do imóvel vem aumentando devido à entrada, nesse mercado, de famílias de menor renda, que têm mais dificuldade em poupar, mas também de parte da população que está mais confiante em contratar um financiamento de longo prazo.

"Até pouco tempo atrás, havia muito receio, então eles preferiam esperar um pouco mais. Agora há mais confiança no ambiente de crescimento econômico", destaca Ana Maria Castelo, coordenadora de projetos da construção da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Os números comprovam a expansão em ritmo acelerado. Entre janeiro e outubro deste ano, os financiamentos com recursos da poupança somaram R$ 44,9 bilhões, 69% a mais do que no mesmo período de 2009 e mais do que o dobro do valor contabilizado em todo o ano de 2007.

Segundo Ana Maria, o Brasil está crescendo "com base na compra de famílias que querem um imóvel para morar", em contraponto à menor participação de investidores.

Esse é o caso da contadora Eliete Pacheco, 40, que assinou em outubro o financiamento habitacional de 60% do valor do imóvel. Para conseguir ter a casa própria, ela conta que nunca fez uma grande viagem de férias, não comprou carro e poupou tudo o que podia para a entrada. "A gente sabe que pagar aluguel não tem retorno. Aqui sei que vai ser meu."

Fonte: UOL