Pregão oscila e dólar fecha em alta de mais de 15%

Aversão ao risco no exterior beneficia dólar

O dólar comercial começou a semana em alta, fechando com valorização de 1,51% a R$ 1,739 nesta segunda-feira (26). O pregão foi de volatilidade, no entanto, com a moeda oscilando entre o terreno negativo e positivo antes de encerrar em alta. No exterior, o dólar subiu em relação a várias moedas nesta segunda-feira, movimento que impediu que o mercado voltasse a ameaçar o piso de R$ 1,70.

Em outubro, porém, a queda acumulada da moeda norte-americana é de 2,14%. Durante a manhã, o dólar tinha queda, alimentado pela expectativa de um fluxo consistente de capital para o país. Mas, no meio do dia, os negócios foram prejudicados por um problema nos sistemas da BM&FBovespa. Na volta das operações, os agentes se depararam com uma situação cada vez menos favorável a aplicações em ativos de risco.

O movimento no exterior era justificado como um ajuste provocado pela cautela de investidores em aprofundar ainda mais a queda do dólar no começo de uma semana repleta de indicadores relevantes, como a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos no terceiro trimestre. No Brasil, os bancos são os agentes com as maiores apostas na queda da moeda norte-americana, com US$ 6,68 bilhões em posições vendidas nos mercados futuro de dólar e cupom cambial na sexta-feira. Os estrangeiros estão na ponta inversa, com mais de US$ 5 bilhões em posições compradas (aposta na alta do dólar).

"Os não-residentes (estrangeiros) estão bastante comprados. Então qualquer coisa no mercado que eles achem que pode interferir é motivo para essa volatildade", disse o operador de câmbio de uma corretora nacional, que preferiu não ser identificado. Além disso, embora a maioria dos agentes avalie que a tendência para a moeda norte-americana ainda é de queda, o comentário de vários profissionais de mercado é que, após a adoção do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre capital estrangeiro, a postura do governo também impõe um componente de incerteza. "Isso causa uma certa preocupação, efetivamente", disse André Sacconato, economista da Tendências Consultoria. "(O governo) não fechou a caixa de ferramentas."

Fonte: g1, www.g1.com.br