Lula e líderes do Bric discutem formas de ampliar influência na economia global

Grupo de países emergentes é formado por Brasil, Rússia, Índia e China

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os demais líderes do Bric - grupo formado pelas principais economias emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China -, discutem nesta terça-feira (16) as formas de aumentar a influência de seus países nas decisões sobre a economia mundial.

A primeira reunião de cúpula do Bric será na cidade russa de Ecaterimburgo e abordará, segundo o porta-voz da Presidência, Marcelo Baumbach, a crise financeira internacional, o comércio entre os quatro países e questões de segurança alimentar e energética.

Além de Lula, participam o presidente russo, Dimitri Medvedev, o chinês Hu Jintao, e o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh.

De acordo com a Presidência, o Bric tem quase metade da população mundial e a economia dos países do grupo equivale a 15% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial.

Pacto

Os líderes devem assinar uma declaração conjunta, apontou o porta-voz da Presidência, sobre os passos que consideram importantes para a retomada do crescimento global após a crise financeira.

"O presidente acha que seria possível de se conseguir um pacto na cúpula dos Brics, para que o grupo de países tenha uma participação maior em todos os temas da agenda internacional, e tenha um poder de influência maior sobre o equacionamento de várias questões internacionais, tais como a crise internacional pela qual nós estamos passando no momento", destacou Baumbach em coletiva de imprensa na semana passada.

Andrei Nesterenko, porta-voz do ministério russo das Relações Exteriores, também disse que os quatro líderes vão assinar uma declaração que pedirá "a formação de uma ordem mundial mais justa e mais democrática".

Os presidentes devem discutir ainda mudanças no controle do sistema financeiro mundial. Lula deve citar como exemplo o recente anúncio de empréstimo de US$ 10 bilhões pelo governo brasileiro ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para alegar que os emergentes precisam assumir as reponsabilidades no enfrentamento da crise.

Na segunda (15), o presidente brasileiro analisou que a cúpula serviria para "trocar experiências sobre a luta contra a crise". "Trata-se de uma primeira reunião e acho que temos muitas coisas importantes a falar", afirmou Lula em Genebra, depois de participar de evento da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Produção industrial

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) obtidos com exclusividade pelo G1 e divulgados na segunda (15), mostram que, do grupo que forma o Bric, a produção industrial brasileira foi a que recuou com mais intensidade.

Na Rússia, a produção industrial caiu 13,7% de setembro de 2008 a janeiro de 2009, e, no Brasil, recuou 16,2% no mesmo período. A produção industrial da Índia teve queda de 3,1% entre setembro do ano passado e março de 2009, enquanto a da China apresentou crescimento de 4,9% neste período.

Fonte: g1, www.g1.com.br