Produção de veículos sobe 6,7 % em maio e vendas têm crescimento de 5,4%

O volume supera em 6,7% o que foi registrado em abril, quando 253.326 unidades foram fabricadas

Em crescimento desde janeiro deste ano, as vendas de veículos no mercado interno puxam a produção das montadoras, mesmo com as exportações em baixa. De acordo com balanço divulgado nesta quinta-feira (4) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), saíram das linhas das montadoras em maio 270.247 veículos. O volume supera em 6,7% o que foi registrado em abril, quando 253.326 unidades foram fabricadas.

Na comparação com maio de 2008, quando o setor vivia forte crescimento no país, a produção é 7,7% menor ? na época foram fabricados 292.740 veículos. Entretanto, no acumulado as montadoras somam 1.187.007 unidades produzidas. Ou seja, 14,2% menor em relação ao volume fabricado entre janeiro e maio de 2008, de 1.384.080 unidades.

"Estamos com estoque de 26 dias, o que é considerado normal", diz o presidente da Anfavea, Jackson Schneider, ao apontar que os estoques nas concessionárias abastecem o mercado por 20 dias e os das montadoras, por seis dias.

Ao destacar o segmento de automóveis e comerciais leves, a expansão chega a 7%, com 258.072 unidades em maio, contra 241.282 unidades em abril. No acumulado, automóveis e comerciais leves somam 1.129.885 unidades produzidas, redução de 13,1% sobre o mesmo período de 2008.

Embora a indústria mostre alívio em relação à crise, o setor de caminhões tem queda de 1,2% na produção, com 9.511 unidades. Isso porque as demandas de setores como agrícola, construção civil e mineração e a indústria em geral sofrem com a queda da demanda em função da crise. Além disso, o mercado de caminhões depende das vendas externas, que também são comprometidas pela crise mundial.

Vendas e IPI

Em maio, foram licenciados no país 246.978 veículos, o que representa crescimento de 5,4% em relação às vendas de abril. Para um momento de crise, o desempenho é mais do que satisfatório: de janeiro a maio já foram vendidas 1.149.630 unidades, o que representa leve queda de 0,1% sobre os emplacamentos feitos no mesmo período de 2008. Ou seja, a indústria mantém o patamar de vendas do ano passado.

"De janeiro a maio deste ano, tivemos um dia útil a menos. Sem esse efeito, o mercado é um pouco maior em relação ao ano passado neste período", acrescenta Schneider.

O setor comemora os números, mas não deixa de reconhecer que só foi possível manter níveis de vendas e de produção vistos antes da crise devido ao incentivo do desconto do Imposto sobre Produto Industrializado (IPI). Para o presidente da Volkswagen do Brasil, Thomas Schmall, o crédito disponível ao consumidor não voltou no mesmo patamar do que se tinha no ano passado, por isso acredita que o benefício seja o verdadeiro alavancador das vendas. Schmall diz que o benefício acabará em junho, como foi estabelecido pelo governo.

Já o presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardila, defende a redução gradativa do desconto do IPI, caso o governo não prorrogue a medida. Segundo ele, o patamar de vendas deve cair com o fim do incentivo.

Exportações

As exportações aumentaram em valores 4,5% em relação a abril, com a soma de US$ 600,7 milhões. Em relação a maio de 2008, houve queda de 47,3% nas vendas externas, já que a indústria havia somado US$ 1,14 bilhão. No acumulado do ano, a queda é ainda maior. As exportações de janeiro a maio somam US$ 2,76 bilhões, o que representa retração de 50,8%, quando foram exportados US$ 5,61 bilhões.

Em relação ao número de unidades exportadas, a indústria registrou alta de 15,3% em relação a abril, de 35.012 unidades, para 40.380 unidades. No entanto, o total vendido no exterior até agora é 47,4% menor ao volume do mesmo período do ano anterior - foram 308.627 unidades em 2008 contra 162.447 neste ano.

"A queda das exportações está ligada ao mercado externo, mas é claro que a taxa de câmbio neste patamar agrava a questão", afirma o presidente da Anfavea, ao ressaltar que a volatilidade cambial prejudica os planejamentos de exportação.

Segundo Schneider, a indústria precisa aproveitar este momento para examinar a cadeia de produção e entender onde existem gargalos que geram custos e dificultam a competitividade no exterior.

"Quando o mercado voltar ao ritmo normal, precisamos ter condições de competir, porque vamos ter outros players no setor. A indústria brasileira de forma geral tem que estar preparada." Schneider destaca a estrutura tributária do país como um dos entraves.

Emprego

O setor automotivo encerrou maio com 120.378 pessoas empregadas diretamente, o que representa uma queda de 0,3% ante abril e de 4,9% ante maio do ano passado. No mesmo período de 2008, a indústria empregava 126,5 mil pessoas.

Fonte: g1, www.g1.com.br