Produção nacional de veículos sobe 15,7%, unidades montadas chegou a 315.956

O resultado representa a recuperação da produção de caminhões e das exportações

A produção nacional de veículos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus), registrou alta de 15,7% no mês de outubro, quando saíram das linhas de montagem 315.956 unidades, contra as 273.027 fabricadas em setembro. Em relação a igual mês do ano passado, o crescimento foi de 6,3%, quando foram fabricadas 297.229 unidades. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (9) pela Anfavea ( Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

O resultado representa a recuperação da produção de caminhões e das exportações, reflexo da nova fase econômica no Brasil e no mundo, além do esforço da indústria para aumento dos estoques.

De acordo com o balanço, a produção de caminhões subiu 13% em relação a setembro: foram 12.999 unidades produzidas em outubro, sobre 11.506 contabilizadas no mês anterior.

Esse não é o primeiro crescimento da produção registrado pelo setor de caminhões. No entanto ele mostra a tendência de recuperação do segmento para os próximos meses, já que a indústria de veículos pesados trabalha por meio de encomendas e os consumidores fazem planejamento antecipado das compras.

"Claramente, a tendência de recuperação do mercado de caminhões indica a melhora do segmento", afirma o presidente da Anfavea, Jackson Schneider.

Exportações

Já as exportações em unidades subiram 16,7% em outubro em relação a setembro, de 40.448 para 47.196. O resultado é puxado pela venda externa de automóveis e comerciais leves, que juntos registram alta de 16,3% (de 38.574 em setembro para 44.870 em outubro) e das vendas de ônibus que subiram 77,4% (de 674 para 1.196 unidades).

Segundo Schneider, apesar do resultado positivo das vendas externas, os principais mercados compradores de produtos brasileiros ainda não se recuperaram. Ou seja, ainda é cedo para dizer que o aumento do volume vendido ao exterior é sustentável. Mesmo assim, Schneider reconhece que o aumento das vendas externas em outubro, principalmente de automóveis, é uma notícia positiva.

"As exportações do Brasil começaram a sentir a crise em outubro de 2008, mas o mercado interno só foi sentir em novembro, quando a crise atingiu diretamente os clientes do Brasil", diz Schneider, sobre a preocupação com as exportações.

Em valores, o volume exportado representa a comercialização de US$ 795,6 milhões ao considerar também a exportação de máquinas agrícolas. Como em setembro haviam sido vendidos ao mercado externo US$ 734,1 milhões, o volume de outubro representa expansão de 8,4%.

Ao considerar as vendas internas e externas, a produção de automóveis e comercias leves subiu 16,5%. Foram 249.305 produzidas em setembro sobre 290.552 fabricadas em outubro. Já a produção de ônibus cresceu 13,6% - de 2.661 unidades produzidas em setembro contra 3.023 em outubro.

Em relação aos estoques, Schneider afirma que o volume de veículos nos pátios das fábricas e nas concessionárias está "no limite mínimo". Segundo ele, o volume, em outubro, em estoque é suficiente para 22 dias de vendas, ou seja, 215.819 unidades. Em setembro, os estoques eram de 171.601 veículos, equivalente a 17 dias.

"Forçamos a produção em outubro para recuperarmos o estoque. A previsão é que consigamos um nível "saudável" dos estoques nos próximos meses", diz. Segundo ele, o volume atual está entre três e quatro dias abaixo do ideal.

Acumulado até outubro

A importância do crescimento do mês de outubro em relação a setembro é o ritmo de retomada que a indústria automobilística nacional aguarda para 2010, especialmente no que se refere as exportações que sofreram forte impacto da crise econômica mundial.

No quadro geral, o acumulado de janeiro a outubro ainda mostra queda de produção. Na comparação com o mesmo período de 2008, o volume que saiu das linhas de montagem é 7,9% menor este ano, de 2.771.621 unidades para 2.552.606.

A pior queda é observada no segmento de caminhões, com redução de 33,6% da produção no acumulado. Foram 95 mil unidades produzidas neste ano, em contraste com as 143.173 unidades entre janeiro e outubro de 2008. O tipo de caminhão que mais sofreu perdas em produção foi o de pesados, com queda de 53. A produção de caminhões está diretamente vinculada ao volume de encomendas demandado as montadoras, ou seja, ela representa as vendas que serão feitas nos próximos meses.

O que puxa esse volume para baixo são as exportações que despencaram 42% de janeiro a outubro deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Ao todo foram 371.418 unidades exportadas até agora, contra 640.475 no ano passado. Somente o mercado de caminhões registrou queda de 68,6% no período, de 34.161 unidades em 2008 contra 10.717 até outubro deste ano.

Licenciamentos

No que se refere as vendas no mercado interno, foi registrada a queda de 4,6% dos licenciamentos de veículos em outubro, na comparação com setembro. Ao todo foram 294.466 unidades vendidas contra 308.718 unidades no mês anterior, sendo que do volume 17% são de automóveis importados.

A baixa é atribuída a antecipação de compras de automóveis e comerciais leves em setembro, por ser o último mês com redução do IPI integral. Assim, esse segmento sofreu queda de 5,2%: de 296.652 unidades para 281.270 unidades. Outro setor que apresentou queda no mercado interno foi o de ônibus, de 5,3% (de 1.970 unidades emplacadas em setembro para 1.866 em outubro).

"Acreditamos que o desempenho das vendas será melhor do que o esperado", observa Schneider. A Anfavea projetou o licenciamento de 3 milhões de veículos neste ano, aumento de 6,4% em relação a 2008. Para Schneider, o desempenho satisfatório do segundo semestre deverá ficar entre 70 mil e 80 mil unidades acima do previsto anteriormente.

Fonte: g1, www.g1.com.br