Ressaca do setor imobiliário afeta e derruba lucro das construtoras

O cenário provocou queda no lucro de boa parte das construtoras.

A ressaca do setor imobiliário contagiou os resultados das principais construtoras do país no segundo trimestre, divulgados ontem. Ainda se recuperando de problemas decorrentes do boom de vendas dos anos anteriores, como estouro do orçamento de obras e atraso na entrega dos imóveis, as companhias encontraram um mercado menos aquecido neste ano.



O cenário provocou queda no lucro de boa parte das construtoras e já as obriga a revisar suas metas de lançamentos.

A PDG, maior construtora do país, encerrou o segundo trimestre com prejuízo de R$ 450 milhões, ante um lucro líquido de R$ 241 milhões no mesmo período de 2011.

Segundo a empresa, o resultado reflete a revisão no orçamento de suas obras, que mostraram custos adicionais.

A companhia cortou à metade a meta inicial de lançamentos no ano. A nova estimativa prevê empreendimentos com Valor Geral de Vendas (VGV) entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões.

A construtora Tecnisa também revisou sua projeção de lançamentos para 2012, reduzindo a meta de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,4 bilhão.

"O que estamos vendo é um cenário de readequação da oferta", diz Wesley Berbané, analista de construção civil do BB Investimentos.

Embora não tenha registrado prejuízo, a Tecnisa também sofreu com o aumento de despesas e viu seu lucro líquido cair 96% no segundo trimestre, para R$ 2,6 milhões.

O mesmo ocorreu com a MRV, cujo lucro teve redução de 23,4% no período.

Apesar das condições adversas do setor, a Cyrela lucrou R$ 143 milhões no segundo trimestre, um aumento de 49% sobre o mesmo período de 2011.

Com menos lançamentos, a companhia centrou seus esforços na venda de estoques (empreendimentos prontos ou em construção), que representaram 77% do total comercializado no trimestre.

A Cyrela também colhe os frutos de uma reorganização administrativa, que eliminou uma camada gerencial e reduziu despesas. "Estamos simplificando a empresa", disse Elie Horn, diretor-presidente da companhia.

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br