Pouco ânimo: taxa de investimento pode ficar abaixo de 18% do PIB

Em 2013, o investimento representou 18,4% do PIB e foi ligeiramente maior do que no ano anterior (18,2%).

O pouco ânimo dos empresários da indústria para fazer investimentos destinados à ampliação da capacidade de produção deve provocar neste ano um recuo no indicador que mede a relação entre investimento total da economia em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Em 2013, o investimento representou 18,4% do PIB e foi ligeiramente maior do que no ano anterior (18,2%).

Levando em conta pesquisa sobre os planos das empresas, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) projeta que o investimento em relação ao PIB encerre o ano em 17,9%. "Essa estimativa aponta que o investimento neste ano será menor do que em 2013 e muito abaixo da projeção do Plano Brasil Maior, que esperava que o investimento chegaria a 22,4% do PIB em 2014", afirma José Ricardo Roriz Coelho, diretor de Fiesp e responsável pela pesquisa sobre intenção de investimentos. Lançado pelo governo federal no segundo semestre de 2011, o Plano Brasil Maior é um conjunto de medidas para estimular a produção da indústria brasileira.

A projeção da Fiesp é, de certa forma, compartilhada pela economista Alessandra Ribeiro, sócia da Tendências Consultoria. "Antes eu projetava que a relação entre investimento e PIB seria mantida em 18,4% este ano. Agora, certamente ficará abaixo disso."

Alessandra não fechou a nova projeção para o indicador, mas mudou radicalmente a sua análise, depois de conhecer os números da economia do primeiro trimestre. Antes, ela esperava crescimento do investimento de 2% para este ano. Agora aposta numa queda entre 1,5% e 2%. "As notícias não são muito boas nessa seara", diz. O que mais pesa no resultado do indicador é o desempenho da indústria, que responde por 55% do investimento total.

O resultado dos fabricantes de máquinas é um indicador da tendência dos investimentos. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas, o consumo aparente de máquinas - produção nacional somada à importação e descontada a exportação - caiu 14% no primeiro trimestre em comparação a igual período de 2013. "A queda do consumo, tanto nacional quanto de importados, confirma a redução de investimentos produtivos no Brasil", ressalta o relatório da entidade.

Na avaliação de Alessandra, o segundo ponto que indica o recuo do investimento é o desempenho mais fraco do setor imobiliário neste começo de ano. A construção civil, residencial e de obras públicas, pesa 45% no investimento. A economista lembra que o enfraquecimento do mercado de trabalho, a queda da confiança do consumidor e o menor crescimento da renda do trabalhador esfriaram a construção civil residencial. "Além disso, estávamos esperando um impulso maior das obras por conta da Copa, o que não se concretizou."

Outro ponto lembrado por Alessandra que indica a baixa disposição do empresário para investir é que as consultas das companhias para tomar crédito no BNDES têm recuado nos últimos meses. "Tomar crédito para quê, num ambiente no qual a atividade cresce pouquíssimo?", pergunta a economista.

Confiança. Para o superintendente adjunto de Ciclos Econômicos do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV), Aloisio Campelo, os índices de confiança dos empresários da indústria, do comércio e do setor de serviços e da construção civil são um bom termômetro de como a iniciativa privada avalia o momento e faz planos para o seu negócio.

Segundo o economista, em abril houve um baque na confiança dos empresários. De 72 segmentos pesquisados, a confiança dos empresários recuou sobre março em 77% dos segmentos. Esse é o maior grau de difusão de queda da confiança desde abril de 2010. "A queda na confiança está bem espalhada e essa expectativa negativa não combina com investimento", alerta Campelo.

Para este ano, Campelo diz que o País ficará estagnado em termos de investimento. "A piora vem sendo sinalizada desde o fim de 2013, com a deterioração das expectativas." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Exame