Venda de sementes de milho deverá cair 15%

A queda nas vendas reflete o atraso no plantio

A venda de sementes de milho para a safra verão 2010/11 deverá cair de 10% a 15% no País, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem). A comercialização, até agora, comprova essa redução. No período de maio - quando se inicia o levantamento das vendas para a primeira safra - até agosto, as vendas atingiam 1,492 milhão de sacas com 60 mil sementes, 16% abaixo das 1,780 milhão de sacas vendidas em igual período do ano passado.

A queda nas vendas reflete o atraso no plantio, devido à falta de chuvas nos Estados produtores, diz Cássio Camargo, secretário-executivo da Associação Paulista de Produtores de Sementes (APPS). Além disso, destaca, o preço do milho não estimula o investimento na cultura. "Os preços reagiram no segundo semestre, mas isso não foi suficiente para mudar a intenção de plantio para a safra verão para quem forma as lavouras mais cedo", avalia.

Por conta da liquidez e da maior resistência às adversidades climáticas, a soja ganha a preferência do produtor na maioria das regiões. No caso do Paraná, que cultiva duas safras de milho, Camargo diz que a queda das vendas de sementes de milho para a safra verão é de 27,2%. Entre maio e agosto, o Estado que é o maior produtor de milho verão negociou 306 mil sacas ante as 420 mil sacas em igual período do ano passado. O Rio Grande do Sul tem a segunda maior retração, 17,4%, passando de 712 mil sacas para 588 mil sacas no período.

Ao contrário dos Estados do Sul, Minas Gerais sinaliza manutenção da área de plantio. Entre maio e agosto, as compras de sementes no Estado aumentaram 22%, para 120 mil sacas. Como os produtores mineiros iniciam a semeadura a partir de outubro, a reação dos preços do milho nos últimos meses foi levada em conta no momento de decidir o cultivo.

A Federação de Agricultura do Estado de Minas Gerais (Faemg) estima que a área plantada com o cereal na safra verão deve ficar estável ou apresentar uma leve queda. "Como temos apenas uma safra de milho e o preço melhorou, os produtores pretendem aproveitar o bom momento para plantar", afirma Pierre Vilela, assessor técnico da Faemg. Segundo Vilela, mesmo que haja uma pequena redução na área plantada, essa queda deve ser compensada pela substituição de sementes convencionais pelas geneticamente modificadas (OGM), que têm maior produtividade. A Faemg ainda não tem um levantamento oficial, mas Vilela prevê aumento no uso de OGMs de 25% em 2009/10 para 40% do total da área plantada de verão em 2010/11.

"Quem já utiliza o transgênico vai aumentar a área, e muitos produtores estão fazendo a migração", afirma. Camargo, da APPS, confirma que o uso de sementes de milho OGM deve crescer na safra verão em todo o País, para 51% ante 35,5% do ciclo anterior. Os Estados que mais demandam a tecnologia são do Centro-Sul: Goiás (89%), São Paulo (85%) e Paraná (72%). O Rio Grande do Sul, grande consumidor de milho, no entanto, tem feito o menor uso de transgênicos entre os principais produtores do cereal, de 41%. O resultado, diz Camargo, é que os gaúchos têm apresentado baixos índices de produtividade na comparação com outros produtores.

"Embora o custo da semente possa ser o dobro da convencional, a produtividade e resistência à doenças acaba compensando o preço", afirmou Camargo, lembrando que os valores são fixados de acordo com as propriedades de cada cultivar.

Fonte: IG