Vendedores exigem nota fiscal de produto novo no Troca-Troca em Teresina

Vendedores exigem nota fiscal de produto novo no Troca-Troca em Teresina

Dentre os pontos turísticos de Teresina está o Troca-troca, que existe há 27 anos e foi citado na música "Teresina" de Raimundo Aurélio de Mello e José Ro-drigues, na seguinte estrofe: "Ai, troca, quem troca destroca./Minha Teresina não troco jamais./No Troca-troca, quem troca destroca./Minha Teresina não troco jamais" e já interpretada por vários cantores, inclusive pelos piauienses Lázaro do Piauí e Frank Aguiar.


O Troca-troca é uma feira, que se localiza às margens do rio Parnaíba, na divisa do Piauí com o Maranhão, em que se comercializa vários tipos de objetos, como eletrodomésticos, bicicletas, ventiladores, geladeiras, celulares e até vaso sanitário, podendo estes ser usados ou novos. As formas de negociação de produtos não é apenas troca, também pode ser vendas e até compras, no entanto, quanto a produtos novos e seminovos são exigidos notas fiscais, a fim de evitar problemas judiciais. É o que garante o vendedor Pedro José da Silva, 10 anos, que nunca teve problemas com produtos ilegais, por sempre exigir nota fiscal dos objetos que comercializa, como fogão, geladeira, colchão, entre outros.

"Nunca fui chamado na polícia para nada. Aqui a gente sempre exige nota fiscal do produto. A situação que não exigimos é quando o objeto é muito velho e o dono já nem possui mais a nota. E os preços variam bastante, vai depender do comprador e também da nossa necessidade", revela Pedro da Silva que apesar de trabalhar no Troca-troca, não realiza troca de produtos, somente compra e venda de objetos.

De acordo com Antônio Machado, que há 27 anos é vendedor de material elétrico e hidráulico, sendo um dos primeiros comerciantes do Troca-troca, a exigência da nota fiscal em produtos novos e seminovos é importante para evitar problemas judiciais e afirma que esse trabalho é sua única fonte de renda. "Acho importante a exigência da nota fiscal, para evitar problemas com a polícia. Com objetos usados e velhos não exigimos a nota fiscal, mas sendo novo ou semi-novo exigimos sim. Sempre procuro trabalhar de maneira honesta e não tenho outra renda. Dá pra viver com o que ganho aqui, com um salário a um salário e meio. Depende das vendas do dia a dia", confessa Antonio Machado, natural de Piripiri e pai de três filhos.

Já no caso do vendedor de celulares do Troca-troca, Fernando Alves, a nota fiscal não é exigida por ele no ato da venda, por comercializar apenas aparelhos usados. "Não tenho muita preocupação. Mas se tiver nota fiscal melhor ainda. Eu só trabalho com ele usado e geralmente as pessoas que vêm comercializar comigo não têm mais a nota fiscal. Os valores do celular variam de R$ 10 a R$ 100", afirma Fernando Alves que trabalha há 2 anos, comercializando aparelhos seminovos e até com defeito.

O Troca-Troca, que surgiu da comercialização de objetos a sombra de uma figueira, foi assim que os feirantes se organizaram e conseguiram junto ao Governo do Estado uma estrutura melhor para trabalhar. Apesar da necessidade de reforma, prometida há alguns anos pela prefeitura, os feirantes se mobilizaram e contrataram dois vigias e um zelador, para os serviços de segurança e limpeza, tirando do próprio bolso os pagamentos desses profissionais.

Feirantes não acreditam em reforma no local

O Troca-troca, fundado em 1985, representa um dos pontos turísticos mais conhecidos no estado. Apesar disso, hoje sofre com problemas de infraestrutura, além da falta de apoio local. A SDU Centro-Norte ainda estuda projetos de revitalização para o local, mas até o momento não foi confirmado. Enquanto isso, comerciantes que mantêm suas famílias através da comercialização dos produtos, continuam sem esperança pela melhoraria do local.

Segundo Antônio Machado, começou a comercializar produtos no Troca-troca ainda na adolescência, a prefeitura fala em reforma a muitos há alguns anos, mas até agora nada foi concretizado. "A expectativa é fraca, a gente não conta muito com isso. Porque há anos escutamos essa história e até agora nada. Não é algo concreto. Já que eles falaram, talvez daqui a mais de cinco anos podem fazer. É assim que acontece", desabafa o feirante.

Fonte: Márcia Gabriele - Jornal MN