Escola orienta crianças e jovens mais vulneráveis

Escola orienta crianças e jovens mais vulneráveis

Com o objetivo de ajudar ao próximo, Escola Marista se destaca com um trabalho reconhecido pela sociedade.

Crescer em meio às adversidades da vida não é uma tarefa fácil e construir o futuro de forma honesta pode ser mais difícil ainda. Com a filosofia de orientar e educar crianças e jovens mais vulneráveis no caminho de uma vida plena, a Escola Marista vem transformando as vidas dos adolescentes do bairro Santa Maria da Codipi, na zona Norte da capital. Instalados há mais de 15 anos no Piauí, os maristas têm em mente a seguinte filosofia: ajudar a quem mais precisa.

Oriundos de uma organização filantrópica ligada à Igreja Católica, eles escolheram uma das regiões mais carentes de Teresina para desenvolver seu trabalho. O bairro conta com uma população de aproximadamente 75 mil habitantes, onde mais de 12 mil jovens vivem em situação de risco.

Após 10 anos na cidade, receberam um fundo generoso da sede Marista para desenvolverem sua missão. Em 2007 nasceu o Centro Comunitário Circuito Jovem, que oferecia reforço escolar para jovens humildes. ?Tínhamos a opção de montar uma filial particular do Colégio Marista na cidade, mas desde o primeiro momento optamos pela execução de um trabalho assistencial que mudasse diretamente a vida dos mais necessitados. Foi quando tivemos a ideia de complementar o reforço com oficinas de arte?, conta irmão Jaime Espíndola, diretor da escola.

Com a busca cada vez maior pelo serviço de acompanhamento escolar e as mudanças na lei da filantropia, em 2010 o centro se transformou na Escola Marista Champagnat de Teresina. ?Após um longo estudo, constatamos que nenhum colégio do bairro ofertava turmas de ensino médio no período diurno. Muitos alunos percorriam a pé uma distância de 8km para assistir aula no colégio mais próximo. Nossa escola atende exclusivamente essa demanda?, explica o irmão.

Atualmente a escola possui 264 alunos vindos das escolas públicas do bairro e assiste outros 100 adolescentes da comunidade. Todos eles vêm de famílias vulneráveis e muitos sofriam com a baixa autoestima. O projeto busca fortalecer o caráter social desses jovens através do desenvolvimento das oficinas de artes, que complementam o processo educativo no desenvolvimento das múltiplas inteligências.


Escola orienta crianças e jovens mais vulneráveis

Estrutura ideal para o aprendizado

As instalações da escola são de fazer inveja a muitos colégios particulares. Cada turma possui no máximo 25 alunos e todas as salas de aula são climatizadas. Uma lousa eletrônica torna o aprendizado mais dinâmico, além dos laboratórios de ciências e informática. As salas de música estão equipadas com instrumentos de alta qualidade e além de não pagarem nada para usufruir destes serviços, os estudantes recebem gratuitamente fardamento e livros didáticos.

Os avanços que os maristas promovem naquela comunidade são perceptíveis. Os alunos são educados, sorridentes, respeitam o patrimônio e passam adiante tudo o que aprendem. Uma dedicação que gera bons frutos: a taxa de evasão escolar é menor que a média nacional e os índices de reprovação, praticamente nulos. ?Buscamos elevar a autoestima do aluno para que ele se sinta bem neste ambiente. O retorno é positivo, eles sentem prazer em estudar e a maioria tem notas acima da média?, afirma Jaime.

Segundo o filantropo, o desenvolvimento da veia artística enaltece o caráter, estabelece uma nova perspectiva na vida dos jovens e os afasta de atividades degradantes, como o vício e a criminalidade. Quem agradece são os alunos, que tiveram a vida tranformada após entrarem no colégio. Para a estudante Rafaela Maria da Conceição, ser contemplada com a oportunidade é algo que ela agradecerá para sempre. ?Aqui aprendo brincando, não sei o que seria de mim sem essa escola. O Marista mudou minha vida?, agradece.

A meta para 2013 é matricular 200 alunos no período letivo. Para tanto será realizado teste seletivo agora no mês de outubro de 2012 para todos os alunos de todas as séries que a escola oferece

O projeto desenvolvido pelo Marista faz tanto sucesso que a escola já passa por uma reforma. ?Nossa meta é matricular 200 alunos para o próximo ano letivo. Iremos realizar testes seletivos no mês de outubro para estudantes de todas as séries do ensino médio?, avisa a coordenadora Joana D?Arc de Araújo.

Os adolescentes serão selecionados por um processo de triagem que leva em conta a situação socioeconômica da família: quanto mais vulnerável, maiores as chances de ficar na escola, que acolhe apenas alunos da região Santa Maria da Codipi.

Buscando abranger a maior quantidade possível de alunos sem abrir mão da qualidade, a Escola Marista desenvolve um projeto paralelo com 100 alunos da comunidade. A coordenadora pedagógica fala que cada aluno da comunidade tem direito a escolher duas aptidões artísticas.

?As oficinas de artes são abertas para a comunidade e visam uma maior integração com a juventude do bairro. Além das turmas de música e dança, oferecemos reforço em Português e Matemática para os adolescentes. Para poder participar de qualquer programa, o aluno deve ter notas acima da média?, esclarece.

Escola oferece acompanhamento psicossocial completo

Além da boa estrutura física, a Escola Marista se destaca no acompanhamento oferecido aos estudantes dentro e fora do colégio. Juntamente com outras entidades, a instituição desenvolve um trabalho conjunto de monitoramento da família através do diagnóstico funcional do aluno e visitas regulares às famílias.

?Realizamos um acompanhamento completo dos alunos, nos preocupamos com o bem-estar social e psicológico de nossas crianças. Se o desempenho do estudante cai, verificamos imediatamente com a família se há algum problema e encaminhamos para as entidades responsáveis caso seja constatado algo incomum. Trabalhamos diretamente com o CRAS e conselho tutelar?, conta a assistente social Janaína Karla Santos e Silva.

A família aprova a intervenção e faz questão de participar da vida acadêmica dos filhos. ?Notamos que nosso cuidado estimula os pais a desenvolverem uma relação mais saudável com os filhos. A família participa maciçamente de nossas reuniões mensais e se mostra atenta aos passos da prole. Com a família estruturada, tudo caminha bem. Os educandos superam as barreiras internas e se desenvolvem melhor?, aponta Janaína.

A assistente social vai além e descreve que a parceria é feita com toda a comunidade. No fim das contas, quem se fortalece com o trabalho em equipe é a cidadania. ?A escola livra o aluno da vulnerabilidade social e a comunidade aprova nosso trabalho. Essa retribuição é o caminho para seguirmos em frente?, finaliza.


Escola orienta crianças e jovens mais vulneráveis

Entenda um pouco da história dos Maristas

O Instituto dos Irmãos Maristas foi fundado em 1817 por Marcelino Champagnat, na França. A congregação se dedica à educação de crianças e adolescentes, especialmente os mais humildes. As unidades são regidas por irmãos de doutrina, ou seja, o equivalente masculino das freiras. Um aspecto importante para o desenvolvimento cognitivo dos educandos é a qualidade dos serviços prestados.

Mesmo sendo uma instituição vinculada à Igreja Católica, todas as crenças são respeitadas e até estimuladas, a palavra de ordem é a inclusão. A escola é mantida pela União Norte Brasileira de Educação e Cultura, UNBEC, sediada em Brasília, e financiada pelo Grupo Marista de Educação. A proposta assumida pela instituição é promover a educação em todas as áreas socialmente afetadas, da periferia de grandes cidades, à selva amazônica.

Alunos mudam de vida e colégio é premiado

Os benefícios alcançados pelos alunos da Escola Marista são inquestionáveis. Os alunos se desmancham em elogios ao colégio e afirmam sentir falta das aulas até mesmo durante as férias.

Aos 16 anos, Francisco Samuel de Oliveira define sua passagem pelo colégio como uma experiência única. ?Os professores são muito bons. Eles se preocupam com nosso desenvolvimento e acreditam em nosso potencial. O carinho que encontramos aqui não tem em lugar nenhum. Os professores são muito dinâmicos e tornam o aprendizado divertido?, destaca.

Além do ensino de ponta e desenvolvimento das aptidões artísticas como dança, teatro, música e capoeira, muitos se destacam nos esportes. De acordo com a coordenadora pedagógica Joana D?arc de Araújo, os alunos têm o costume de participar de torneios espalhados pela cidade e já voltaram com muitos troféus, geralmente ficando nas primeiras posições.

?Esse destaque faz bem para a autoestima do vencedor e do outros estudantes. Ao receber o prêmio, o aluno passa a acreditar mais em si mesmo e sempre buscará dar o melhor de si. Acaba sendo benéfico para os outros alunos, pois eles encontram alguém para se espelhar?, explica.

Fonte: Olegário Borges