Escolas têm que atender crianças especiais em Teresina, garante decreto federal

O relato de uma mãe é exemplo de vários outros pais que estão com dificuldades para matricular os filhos com necessidades especiais na rede de ensino regular. Muitas escolas já deveriam estar prepara

Muitos pais de alunos consideram complicado o começo do ano letivo. Mesmo com o decreto federal que obriga escolas de todo o país a se adaptarem para acomodar alunos especiais ter completado 10 anos, ainda persiste a dificuldade em encontrar vagas disponíveis para a maioria.

Francisca Araújo, mãe de três crianças sendo uma especial, mora em Miguel Alves e veio a Teresina por conta de tratamento da filha. “Gostaria de matricular minha filha em uma escola, pois ela poderia desenvolver mais a fala caso convivesse com outras crianças. Porém, não tem escola para crianças especiais no local onde moro. Além disso, as escolas de ensino regular não aceitaram a minha filha”, explica a mãe, preocupada, com sua filha de 10 anos no colo.

Em contraponto, a mãe Maria de Jesus não teve o mesmo problema para matricular sua filha Ester Maria de 3 anos.

A mãe afirma que conseguiu fazer a matrícula em creche da Prefeitura de Teresina. “Nunca tive problemas para fazer a matrícula da minha filha. Consegui na primeira escola e ela já começou a estudar ano passado”, diz.
De acordo com a supervisora e psicopedagoga do Núcleo de Pedagogia do Centro Integrado de Reabilitação (CEIR), Lucineide Cavalcante, as escolas já deveriam estar todas preparadas para receber os alunos especiais. “A questão da inclusão já vem sendo debatida há mais de 10 anos, então não há razão para as escolas não estarem preparadas.

No entanto, percebemos através da repercussão dos próprios pais e crianças, que algumas escolas não querem receber esses alunos”, conta.

A psicopedagoga afirma que a principal preocupação é com o trabalho do professor, pois as escolas dizem que não recebem o aluno por não terem professores qualificados, e realmente acontece isso, mas está melhorando aos poucos. “Por conta da exigência do Ministério da Educação, as escolas agora estão se preparando estruturalmente e algumas estão organizando a parte arquitetônica. Entretanto a parte do professor com a criança, está desgastante”, explica.

Escolas e professores devem estar preparados para atender alunos

Com uma escola disposta de estrutura adaptada para receber o aluno especial, a criança terá muito mais chances de desenvolver seu potencial, mas não é o suficiente. É o que explica a psicopedagoga Lucineide Cavalcante. “Se a criança chega a uma escola que está adaptada para recebê-la, ela terá as mesmas oportunidades que os outros em poder aprender. Ocorre que, muitas vezes, os professores não sabem trabalhar com a criança e esquecem do principal papel que é ensinar a criança”, afirma.

No Piauí, segundo a Secretaria da Educação e Cultura (SEDUC), os profissionais já foram instruídos de como proceder o atendimento, tratando assim, todos igualmente. As matrículas nas escolas estão abertas para toda comunidade, inclusive para crianças com necessidades educacionais especiais.

O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado do Piauí (Sinepe-PI), Dalton Leal, que conta com 60 filiados, acredita que deve haver comunicação entre pais e a instituição de ensino para garantir que o aluno tenha melhor assistência. “Os pais devem conversar e comunicar a escola sobre a condição do seu filho e não prejudicar o entendimento do aluno”, afirma.

O presidente também afirma que as escolas trabalham através do ensino regular, logo definem as possíveis estratégias para auxiliar o aluno.

“Seguindo a lógica de auxiliar o aluno e verificar as condições do mesmo, se o último for permitido, a matrícula do aluno será efetivada. Caso a escola não tenha recursos, consequentemente não poderá receber o aluno, assim ele pode ser encaminhado para outra instituição com o devido suporte”, finaliza.
Em Teresina, o Centro Integrado de Reabilitação (CEIR) trabalha através do setor de pedagogia, dentre outros, com crianças e adolescentes de 1 ano e seis meses até 17 anos e 11 meses. Tendo como objetivo de incluir e facilitar a aprendizagem de crianças e adolescentes.

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Fonte: Virgínia Santos e Daniely Viana