Estudante fica seis dias preso por engano no lugar de um amigo

Rapaz que cometeu crime deu dados de estudante ao ser preso.

Um estudante de São José dos Campos, no interior de São Paulo, foi preso por engano depois que um amigo de adolescência informou os dados dele para a polícia após um roubo. Adriano de Assis Alves ficou preso por seis dias em um Centro de Detenção Provisória e só foi solto depois que uma juíza descobriu o engano. O rapaz que cometeu o crime e deu os dados errados já havia preso novamente.

A prisão ocorreu mesmo com os dois rapazes sendo bem diferentes fisicamente ? Alves é branco e tem 1,67 metro de altura; e o amigo que cometeu o crime é negro e tem 1,80 metro. "Eu falei: "Não, eu trabalho, faço faculdade, tudo, como que eu sou fugitivo?". Aí, falaram [a polícia]: "Mas de qualquer maneira a gente vai ter que averiguar a situação e você vai ter ir para a delegacia porque você está preso"", contou Adriano.

Adriano ficou recluso no Centro de Detenção Provisória do Putim, também no interior paulista, tentando explicar a confusão.

"O diretor chegou, conversou comigo, perguntou meu nome, idade, minha ficha. Na hora que ele me perguntou meu número de inscrição, eu falei que eu não tinha. Ele achou estranho: "Como você não tem, se já tem um monte de passagem?". Eu falei: "Não, eu fui preso por engano". Aí que ele foi averiguar minha situação", disse.

A juíza responsável por soltar explicou que assim que teve conhecimento da situação liberou o rapaz. Segundo ela, o rapaz que deu os dados falsos foi preso em 2007 em um assalto, estava sem documentos e se apresentou com nome, documento de identidade e CPF de Adriano. As digitais dele foram tiradas, mas não foram checadas no sistema e, por isso, a farsa não foi descoberta.

Na ocasião, ele chegou a ir para a prisão, mas quando foi transferido para o regime semi-aberto, fugiu. Só que, como ele deu o nome e os dados do ex-amigo, quem passou a ser foragido e procurado foi o Adriano. A polícia admite que realmente houve um erro.

"Esse erro, logicamente que essa pessoa que foi presa indevidamente, tem direito de entrar com uma ação contra o Estado de reparação de danos. E o que forneceu o nome errado poderá responder por processo por falsa identidade ou falsidade ideológica, que a juíza já requisitou", garantiu o delegado seccional de São José dos Campos, Roberto Martins.

Fonte: G1