Faltam leitos em UTI na maioria dos Estados, diz estudo

Censo da Associação de Medicina Intensiva Brasileira aponta que 51,9% dos Estados têm carência de leitos

A briga para obter uma vaga em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) é realidade além do Maranhão, onde nas últimas semanas estourou uma crise de falta de leitos infantis. Censo de 2009 da Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib), que reúne médicos das UTIs, aponta que 51,9% dos Estados brasileiros têm uma quantidade de leitos aquém da necessidade, considerando os disponíveis nas redes pública e privada.

O Ministério da Saúde contesta a análise e utiliza critérios diferentes, mas também aponta má distribuição dos leitos e situação preocupante em três Estados: Maranhão, Acre e Roraima - apesar de o Amazonas também estar em situação muito próxima da crítica.

A falta de profissionais habilitados para trabalhar nas unidades é considerada a dificuldade mais grave das UTIs brasileiras. Mas a carência de recursos para Estados e municípios construírem ou contratarem leitos na iniciativa privada, além da ausência de verbas para sua manutenção e problemas de gestão, também explicam a situação. Isso além de desorganização da gestão das vagas. O resultado são brigas judiciais para a obtenção de vagas até onde a relação leitos por habitantes é a melhor do País, caso do Distrito Federal.

Segundo o defensor público Celestino Chupel, apesar de a situação ter melhorado, no DF o órgão ingressa em média com cinco pedidos judiciais diários para a obtenção de vagas em UTIs de hospitais privados para a população carente. "É rotina", afirmou. "Há cinco anos, a situação no País era pior. No Estado da Bahia, por exemplo, o número de leitos dobrou, mas os que existem ainda são aquém da necessidade", resume o presidente da Amib, Ederlon Rezende.

Contestação

Para o Ministério da Saúde, considerando a ocupação média dos leitos de UTI no País, a necessidade mínima é de 0,73 vagas por 10 mil habitantes e não 1 leito por 10 mil - número defendido pela associação de médicos intensivistas. Com isso, só ficam em situação abaixo do ideal os Estados do Maranhão (0,59 vagas/10 mil habitantes), Acre (0,52/10 mil) e Roraima (0,55/10 mil) - ou 11% dos Estados brasileiros, diz o secretário da Atenção à Saúde, Alberto Beltrame.

Segundo ele, o balanço da Amib considerou cerca de 25 mil leitos de UTI e hoje o número é de 27.398 - 5.846 vagas foram credenciadas pelo ministério nos últimos cinco ano. Beltrame enfatiza ainda que um município pode ter necessidades específicas, como mais acidentes de trânsito, que demandem mais UTIs. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: Estadão