Familiares de criança que vive em UTI quer a prisão de Secretário de saúde

Segundo advogados, governo estadual não tomou providências para viabilizar cirurgia concedida por liminar, em caráter de urgência.

Mesmo com uma liminar judicial para fazer uma cirurgia custeada pelo governo de São Paulo, o pequeno Adley Gabriel Gomes Sales , de um ano, não conseguiu deixar a UTI. Na segunda-feira (07), o advogado da família da criança entrou com um pedido de prisão do secretário da Saúde de São Paulo, Giovanni Guido Cerri, por desobediência à liminar concedida no dia 16 de abril.

Com problemas respiratórios, Adley nasceu no dia 28 de fevereiro do ano passado no Hospital Beneficência Portuguesa. Diagnosticado com Síndrome de Hipoventilação Central Congênita, mais conhecida como Síndrome de Ondine, o pequeno Adley vive na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) desde seu nascimento.


Familiares de criança que vive em UTI quer a prisão de Secretário

?Os pais me ligam várias vezes ao dia para ter notícias. Eles estão muito ansiosos. O governo já deveria ter tomado uma providência porque o pequeno Adley corre o risco de morrer. A liminar está valendo e o caráter dela é imediato. Se não fosse imediato, não precisava de liminar?, destacou um dos advogados da família, Frederico Damato.

A assessoria da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo informou que ?o caso foi encaminhado à Procuradoria Geral do Estado (PGE), que está adotando as medidas cabíveis?. A secretaria não informou quais são as medidas. O iG também entrou em contato com a assessoria de imprensa da PGE, que não se pronunciou sobre o caso.

A doença prejudica o aparelho respiratório e uma forma de contornar o problema é a realização de uma traqueostomia, um procedimento invasivo que consiste na perfuração do pescoço. Além de ter um tubo conectado em seu pescoço, a criança precisa sempre estar perto de um pesado ventilador e de uma tomada, para que o aparelho o ajude a respirar.

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A esperança de Adley diminuir seu sofrimento está na cirurgia para colocação de um marcapasso diafragmático. A operação tem custo estimado em R$ 500 mil e é realizada no Hospital Albert Einstein, onde há corpo técnico especializado para o procedimento relativamente novo no Brasil.

Junto ao pedido de liminar, advogados da família de Adley reuniram relatórios e pareceres médicos informando que a situação da criança é grave. Por ser uma criança e viver em uma UTI, as chances de infecções são grandes. As infecções podem ser fatais já que a saúde de Adley inspira cuidados desde seu nascimento e ele não possui resistências de uma criança normal.

O pai de Adley, o profissional liberal Josimar João Sales, de 23 anos, conta que o quarto do primeiro filho está pronto para recebê-lo há um ano e dois meses, quando ele nasceu. Com a voz embargada, Sales sente ao deixar o filho no hospital. ?Ele está muito agitado e fica tirando a traqueostomia, as mãozinhas dele precisam ficar amarradas em alguns momentos. Ele também está chorando muito quando vamos embora do hospital. Ele já percebe que está sendo deixado no hospital. Queremos a cirurgia para levar ele pra casa. O quartinho dele está pronto para ele.?

Questionado sobre o que diria às autoridades do governo, responsáveis por avaliar a situação de seu filho, Sales disparou: ?E se fosse com o seu filho? Cada dia que passa demora uma eternidade e à noite eu fico pensando que no dia seguinte teremos uma boa notícia, de marcação da cirurgia. As autoridades deveriam ter um pouco mais de consciência. O Adley é apenas uma criança?.

Em substituição à pena de prisão do secretário de Saúde, os advogados da família de Adley sugerem ao juiz da 12ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo a aplicação de multa diária de R$ 10 mil, em descumprimento à liminar concedida no dia 16 de abril.

Em Minas Gerais, o menino Pedro Arthur também acionou a justiça para conseguir custeio do Estado para colocação do marcapasso diafragmático . Ele conseguiu decisão favorável , operou e se recupera bem.

Fonte: IG