Famílias ganham dinheiro vendendo beiju em Teresina

Famílias ganham dinheiro vendendo beiju em Teresina

Conseguir lucro para complementar a renda familiar com produtos do quintal de casa é o que um casal do povoado Bom Princípio vem fazendo.

Trabalhar em casa com produtos que saem direto do quintal e consequentemente comercializar seu produto final, para obtenção da renda familiar, é o sonho de muitas pessoas.

As matérias-primas são: macaxeira e mandioca, que transformadas em massas para a produção de goma de beijus dão o rendimento necessário para a família de Carlos Alberto Vieira dos Santos e Márcia Clemente Ferreira.

O casal começa bem cedo, por volta das 4h30 da madrugada, quando acende o fogo, para assar os beijus, que já se tornaram tradição na região do Grande Dirceu.

A massa do beiju é feita sempre no final das tardes, para que no dia seguinte sejam assados e, por volta das 6 horas, os fregueses já possam saborear a massa tão comum na mesa dos brasileiros e, mais precisamente, na mesa dos nordestinos. O casal não comercializa só beijus, mas também bolos da goma e caldo de cana.

A lanchonete fica localizada na estrada da Usina Santana e o maior volume de vendas é feito para proprietários de sítios e transeuntes, além, é claro, de fregueses fixos, que se deslocam de outros bairros de Teresina, para comprar o tradicional beiju.

Há sete anos, Carlos Alberto trabalha com a venda de beijus e caldo de cana, no povoado Bom Princípio, na região Sudeste de Teresina. Ele conta que arrenda parte do quintal, onde os arrendatários plantam a mandioca e vende a matéria-prima para Carlos Alberto.

?Prefiro comprar a mandioca, porque se eu fosse pagar trabalhadores para esse serviço, sairia bem mais caro?, diz Carlos Alberto, acrescentando que todo o restante do serviço é feito por ele e sua mulher.

Ou seja, a mandioca ou macaxeira é passada no caititu (trituradeira) a massa vai para um cocho, para ser lavada. O que sobra da massa é feito o beiju e a água escoada da massa, vira goma, finalizando assim os dois produtos extraídos da mandioca.

?Na maioria das vezes eu uso a massa sem lavar, para fazer o beiju. Fazendo assim, o beiju fica mais gostoso, porque a massa fica mais consistente, concentrada.

Talvez esse seja o diferencial do beiju produzido aqui?, comenta Carlos Alberto, acrescentando que a freguesia é tanta, que em alguns dias ele não consegue atender a demanda.

Ele ressalta que o mesmo processo usado para fazer o beiju com mandioca, pode também ser feito com a massa da macaxeira. A mandioca só não pode ser consumida por humanos, cozida, como acontece com a macaxeira.

Um detalhe é que o comerciante não faz a farinha, que também é retirada da massa da mandioca. ?Extraio toda a massa da mandioca para fazer os beijus, que já se tornaram tradição na minha região?, reitera.

Venda já e sucesso na cidade toda

A esposa de Carlos Alberto, Márcia Clemente Ferreira, é responsável por descascar a mandioca e ou macaxeira e lavar a massa. O processo de trituração é feito pelo marido. Ela cuida da casa e passa boa parte do seu tempo, na lanchonete.

?Acordo muito cedo. A partir das 4 horas da madrugada estou acordada, para assar os beijus, porque as pessoas já sabem que a partir das seis horas já tem beiju para vender.

Segundo ela, não há encomenda em grande escala, mas a quantidade de pessoas que procura os nossos produtos está crescendo a cada dia. Tem gente que vem de outros locais da cidade, comprar os nossos beijus?, diz.

Os beijus são assados em um forno de barro, no próprio local da lanchonete. A residência do casal fica ao lado, o que facilita a vida da família. O terreno onde são plantadas as macaxeiras e mandiocas fica a poucos metros da casa. Márcia se reversa com o marido, na lanchonete, no atendimento aos fregueses. O local fica aberto de terça-feira aos domingos, das 6 horas às 17h30h.

Beiju, bolo de goma e caldo de cana

Depois dos beijus e dos bolos de goma, o caldo de cana é o preferido dos frequentadores da lanchonete. E um detalhe importante: a cana é plantada por Carlos Alberto, no quintal de sua casa. E pelo fato de o terreno ser adequado para a produção da cana, o caldo da cana é considerado muito doce, pelos consumidores da lanchonete.

- Se o terreno for bom, a cana é plantada só uma vez. E este terreno é forte. É um terreno de baixa e por conta disso, fica o ano inteiro úmido, o que preserva a plantação de cana?, explica. Carlos Alberto tem dois canaviais, plantados no quintal de sua casa, que na verdade é um grande terreno, com espaço para ser arrendado.

Plantei uma linha e meia de cana-de-açucar só uma vez, há sete anos, e não plantei mais. É que a cana, quando é retirada, deixa os brotos que nascem novamente. Posso dizer que aqui é meu ganha-pão e me ajuda muito na renda da minha família?, reitera.

Fonte: Lindalva Miranda