Frequência de chuvas extremas deve aumentar, aponta especialista

Só nas 24 horas da terça-feira choveu 204,8 milímetros no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio

SÃO PAULO (Reuters) - A frequência de episódios de chuvas extremas, como a desta semana na região metropolitana do Rio de Janeiro, deve aumentar e esse processo pode ser ainda mais acelerado pela atividade humana.

"As projeções climáticas para o futuro, feitas por modelos mostram uma situação de aumento dos extremos", disse à Reuters o especialista em mudanças climáticas e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) José Antonio Marengo.

"O aumento da frequência de extremos é um processo natural, só que as atividades humanas estão acelerando esse processo. Algo que deveria levar centenas de anos está acontecendo em décadas."

Ele aponta que, nos últimos 50 anos, tem sido observado um aumento nos episódios de chuva extrema, especialmente nas Regiões Sul e Sudeste do país. "Isso, de certa forma, está associado a um aumento da temperatura."

Marengo, no entanto, faz uma ressalva. Somente as chuvas não podem ser responsabilizadas por tragédias como a que matou 130 pessoas em todo o Estado do Rio de Janeiro nesta semana ou a que matou dezenas de pessoas no início do ano em Angra dos Reis.

Só nas 24 horas da terça-feira choveu 204,8 milímetros no Alto da Boa Vista, zona norte do Rio, quando a média esperada na cidade para todo o mês de abril é de 137,4 milímetros.

"O aquecimento vai continuar e a única solução é o que nós chamamos de adaptação. No caso das grandes cidades é identificar áreas vulneráveis e não construir nessas áreas", afirmou Marengo, que também é integrante do painel sobre mudanças climáticas da ONU, o IPCC.

A maioria das mortes provocadas pelo temporal no Rio de Janeiro aconteceu por deslizamentos de terra e vitimou moradores de áreas de risco e encostas.

"O pior que pode acontecer é que, nos próximos 20 a 30 anos, aconteça um agravamento do que tem sido observado nos últimos 50 anos", afirmou.

"A ideia é de que o aquecimento tem que ser o menor possível para que os impactos sejam os menores impossíveis."

Fonte: UOL