Algumas profissões podem causar surdez

Trabalhador exposto a ruídos muito altos não pode exercer a mesma função durante mais de oito anos.

23/03/2010 - 20:25

Barulho de máquinas, buzinas, trânsito, carros de som... Milhões de brasileiros já estão acostumados a diversos tipos de poluição sonora. No entanto, para alguns, os ruídos literalmente ensurdecedores são rotina no dia-a-dia de trabalho. Diferente da música, determinados sons causam sensação desagradável aos ouvidos e podem resultar em progressiva perda auditiva.

O maquinista Francisco das Chagas ouve o mesmo som dos grandes e barulhentos motores do metrô da Capital há 19 anos, durante seis horas por dia. A conversa dentro do transporte é quase impossível, pois somente uma voz quase gritada pode ser ouvida. “Já não ouço mais do mesmo jeito. Tem gente que precisa repetir duas ou três vezes porque eu até escuto, mas não consigo entender exatamente”, declara Francisco.

Os especialistas em problemas de audição indicam que um trabalhador exposto a ruídos muito altos não pode exercer a mesma função durante mais de oito anos, sob pena de sofrer perda auditiva. “O grande problema é a exposição contínua por tempo prolongado”, alerta o otorrinolaringologista Eriverton Ferreira.

Todas as empresas que submetem seus funcionários a ruídos muito altos são obrigadas, por lei, a realizarem exames periódicos nesses trabalhadores. Caso seja detectado algum problema de audição, o funcionário tem que ser encaminhado para outro setor.

Francisco das Chagas não sabia, mas devido estar exposto a um ruído constante de 90 decibéis (unidade de medida para intensidade de som), ele só poderia trabalhar quatro horas por dia, de acordo com a legislação brasileira. O maquinista também não faz os exames obrigatórios constantemente. “Fiz uma vez e já deu o diagnóstico de perda da audição nos dois ouvidos”, disse o homem.

Ele é vítima da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR), comum em trabalhadores da construção civil, indústria e do trânsito. Dois tipos de proteção podem ser usados para minimizar o impacto das altas frequências sonoras: aqueles em forma de concha e o que é inserido dentro do ouvido. Segundo o médico Eriverton Ferreira, o mais apropriado é o primeiro tipo de protetor auricular. No entanto, dificilmente vemos esses profissionais sequer utilizando algum deles.

Cada um precisa fazer sua parte

Evitar que um trabalhador tenha problemas auditivos, o que diminuiria seu tempo de produtividade no mercado, não é tarefa apenas para quem é diretamente prejudicado.

O empregador tem grande responsabilidade nesse quesito e precisa implantar Programas de Conservação da Audição (PCA). Eles funcionam tanto educando e instruindo todos os trabalhadores da empresa, protegendo-os através do gerenciamento audiométrico.

Mas para que o PCA funcione, o trabalhador tem que reivindicar a implantação do Programa e cumprir rigorosamente as normas, tendo consciência do quanto a sua audição é importante. Outra medida que o funcionário deve seguir é a de evitar uma segunda ocupação ou outros lugares em que fique exposto a muito barulho, como os bares, em seus horários de folga.

FONTE: Nayara Felizardo
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