Corte do pino do aterramento dos novos plugues traz riscos

As pessoas estão cortando um dos três pinos, no caso, o responsável pelo aterramento do aparelho.

15/01/2010 - 14:23

O novo padrão de tomadas e plugues adotado no Brasil já começa a entrar na vida das pessoas, mas a maior vantagem do novo modelo, a segurança, parece não ter sido percebida ainda por muita gente. Isso porque, para não ter de trocar as tomadas de casa, muita gente recorre a um curioso – e desaconselhável – procedimento: ao adquirir equipamentos eletrônicos com plugues novos, as pessoas estão cortando um dos três pinos, no caso, o responsável pelo aterramento do aparelho. Sem o pino, o plugue novo encaixa-se ao modelo antigo de tomada. O equipamento funciona, mas não de maneira completamente segura.

Quem recorre a essa prática certamente não conhece a importância do aterramento, que é projetado para evitar acidentes envolvendo energia elétrica. De acordo com o engenheiro de segurança do trabalho da Cepisa, Edilson Uchôa, cortar o pino do aterramento dos novos plugues é uma atitude que vai na contramão do que se pretende com o novo modelo. “A vantagem das novas tomadas é justamente oferecer maior segurança, e a presença do pino terra foi pensada para isso. Se as pessoas o cortam, acabam criando situações de risco”, disse Uchôa.

Sem o aterramento, o corpo da pessoa fica exposto à passagem da corrente. O que o fio terra faz é, em caso de corrente elétrica, garantir que a mesma seja desviada para o solo, evitando que pessoas sejam atingidas. “Costumo dizer que a corrente elétrica é preguiçosa. Ela procura o menor caminho para ser conduzida. Se este caminho for o corpo humano, teremos então um choque elétrico. Com o aterramento, a corrente segue direto para a terra”, explicou Edilson. Ele defendeu que as residências possuam a instalação de aterramento já na entrada de casa, para uma fácil identificação em caso de problemas com a rede externa de energia.

Na maioria dos casos, as instalações elétricas do interior das residências são consertadas e alteradas por eletricistas amadores, que também podem ser bombeiros ou pintores. Edilson Uchôa acredita que, na maioria dos casos, são justamente estas pessoas que aconselham o corte do pino do plugue. Daí a importância de procurar profissionais especializados. O equipamento que dispõe de maior atenção quanto ao uso de aterramento é o computador, por ser um item caro, e que pode desligar, reiniciar e até queimar facilmente se submetido a oscilações de energia. O estabilizador também ajuda nesse sentido.

Mas os outros equipamentos também precisam contar com essa segurança. “É um cuidado que também deve ser observado com a geladeira, por exemplo. Ao simples abrir da porta, uma situação de choque pode acontecer. Se ela estiver aterrada, evita-se esse problema”, disse o engenheiro, lembrando também que fios terra improvisados de nada adiantam na proteção. Parafusos colocados em paredes e ligados por fios ao aparelho, bem como fios colocados em latas cheias de terra são ineficazes e desaconselhados pelos profissionais da área.

A melhor solução é mesmo providenciar o aterramento, e trocar as tomadas para que o plugue encaixe sem a necessidade de cortar nenhum pino. Afinal, a Resolução nº 11 do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro) obrigou os fabricantes de aparelhos como eletrodomésticos a adotarem apenas o novo padrão de plugues. Adaptadores são mais aconselhados apenas se forem utilizados em caráter temporário.

“Procuramos aconselhar as pessoas a respeito da importância dessas atitudes preventivas, mas precisamos contar também com a consciência das pessoas”, finalizou o engenheiro. As novas tomadas são um pouco mais caras do que o modelo antigo, mas a tendência é de que os preços equilibrem-se rapidamente.

FONTE: Dowglas Lima
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