Homem obeso se acorrenta e recupera emprego público no Uruguai

A GOU pede que a obesidade seja declarada como doença crônica

 Um morador de Montevidéu se acorrentou nesta quinta-feira às portas da prefeitura da capital uruguaia para reivindicar um emprego público que ganhou por meio de concurso e que lhe foi negado por ser obeso.

Roberto Méndez conseguiu fazer com que o diretor de Recursos Humanos da Prefeitura de Montevidéu, Pablo Anzalone, assinasse uma autorização para que trabalhe como motorista de veículos de coleta de lixo. Méndez e outras quatro pessoas obesas foram selecionadas para esse posto entre 16 mil participantes, mas a Prefeitura se negou a conceder seus respectivos empregos até que emagrecessem, informou o porta-voz da ONG Gordos Organizados do Uruguai (GOU), Luis Cherro.

"Eles ficaram entre as 30 melhores pontuações e, quando se apresentaram para trabalhar, a Prefeitura de Montevidéu os discriminou", afirmou Cherro. O porta-voz da GOU assegurou que Pablo Anzalone "os obrigou a perder uma grande quantidade de quilos em tempo recorde". Méndez, que deveria passar de 120 kg para 92 kg, conseguiu emagrecer 20 kg em um mês, o que "fez com que desmaiasse em várias ocasiões e, mesmo assim, não chegou ao índice de massa corporal exigido", conta Cherro.

Diante desta situação, Méndez decidiu se acorrentar hoje em frente à Prefeitura de Montevidéu e protestar publicamente pela "discriminação dos gordos por parte deste governo", relatou o porta-voz da GOU. Segundo Cherro, Méndez pretendia denunciar também o "clientelismo político" da Prefeitura, a qual acusou de contratar de forma irregular "várias pessoas vinculadas à Frente Ampla", a coalizão de esquerda que governa em Montevidéu e no Uruguai.

Ao saber que Méndez estava acorrentado, Anzalone pediu a ele para que abandonasse seu protesto e o convidou a conversar na sede do Governo municipal. "Finalmente, ele e outros três companheiros conseguiram ser admitidos. Anzalone assinou um documento autorizando suas atividades", relatou Cherro, ao lembrar que "falta saber o que vai acontecer com o quinto companheiro".

O porta-voz da GOU lamentou que Méndez "tivesse que emagrecer e se acorrentar para exigir algo que tinha ganhado por seus próprios méritos". Para Cherro, este episódio é "uma demonstração a mais" da discriminação à qual estão submetidos os obesos no Uruguai, país onde, segundo ele, "60% dos cidadãos tem algum problema de sobrepeso". A GOU pede que a obesidade seja declarada como doença crônica e exige a aprovação de uma lei que regule os direitos das pessoas que sofrem com esse problema. Em junho, o Senado uruguaio aprovou o projeto de lei que obriga as lojas de roupas a dispor de peças que respondam às características físicas da população. "A obesidade é a epidemia do século 21", disse Cherro, ao apontar que "a Organização Mundial da Saúde previu que, em 10 anos, o Uruguai terá 70% de pessoas acima do peso".

Fonte: Folha Online, www.folha.com.br