Implantado há dois anos, Pronatec tem transformado a realidade de muitas pessoas no Piauí

Implantado há dois anos, Pronatec tem transformado a realidade de muitas pessoas no Piauí

Implantado há dois anos no município de Campo Maior, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico, o Pronatec, tem transformado a realidade de muitas pessoas que vivem no local

O Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) vem mudando a realidade dos municípios piauienses, onde o programa já foi implantado. Campo Maior, no Norte do Piauí, é a prova de que ele vem dando muito certo, conseguindo incluir no mercado de trabalho mesmo aqueles que não possuíam nenhuma perspectiva de ter um emprego.

Depois que foi implantado no município, no ano de 2012, o número de pessoas que saíram do emprego informal, ou até mesmo daqueles que não possuíam nenhum emprego e hoje estão empregados, é surpreendente. E mais do que isso, o programa tem contribuído muito para que as pessoas montem seu próprio negócio. Em 2012, a cidade possuía, cadastrados, apenas 55 microempreendedores, hoje esse número já saltou para 1.376 empreendimentos.

Um bom exemplo do benefício levado pelo programa à parcela da população menos favorecida são as ex-donas de casa e hoje microempreendedoras Irislene Jesus Gomes e Helena Lopes da Costa. Elas fizeram o curso de cabeleireiro pelo Pronatec e montaram juntas um salão de beleza, de onde hoje elas tiram a renda da sua família. O programa não oferece apenas o conhecimento necessário sobre determinada profissão, mas contribui também para que essas pessoas levantem sua autoestima e passem a acreditar que podem mudar de vida.

“Quando eu iniciei o curso, não sabia nem pegar em um secador de cabelo, minha maior dificuldade era fazer uma escovinha e, por isso, muitas vezes eu quis desistir, mas a professora não deixou. Ela foi lá, pegou na minha mão e me ajudou a seguir em frente. Hoje eu estou com o meu salão.

Nós começamos em um quarto na nossa casa, fomos comprando os equipamentos necessários, aos poucos, e hoje nós saímos de casa e temos nosso próprio espaço e o negócio está dando certo”, afirmou Irislene.

Hoje, Campo Maior possui 4.199 pessoas matriculadas nos 77 cursos oferecidos pelo programa, distribuídas em 130 turmas, em todos os turnos. Esse número de curso deve aumentar ainda este ano, com a nova oferta a ser realizada pela Universidade Federal do Piauí, que passará a oferecer formação em Pedreiro de Argamassa, Pá Carregadeira e Retroescavadeira. Os cursos duram em média três meses.

Programa beneficia pessoas de baixa renda

O público-alvo do programa são pessoas de baixa renda, em condições de vulnerabilidade social e econômica e tem como objetivo ensinar uma profissão, para que elas possam sair dessa condição. Os resultados são surpreendentes, sendo o programa responsável por mais de 200 carteiras assinadas em Campo Maior.

Quem faz parte dessa estatística é a gerente de um dos restaurantes da cidade, Rosângela Araújo de Deus. Antes do Pronatec, ela trabalhava sem carteira assinada, cortando linha em um atelier da cidade. Quando o programa chegou à cidade, ela decidiu que queria mudar de vida e iniciou esse processo se matriculando no curso de Garçom.

Após se formar, ela conseguiu um emprego, na função de garçonete, depois foi promovida à caixa e logo depois a gerente do estabelecimento, onde ela trabalha hoje.

“Minha experiência, no curso, foi ótima, tanto que hoje eu sou gerente de restaurante. Consegui chegar até aqui de forma bastante rápida, ficando dois meses como garçonete, depois três no caixa e já fui promovida a gerente. Com certeza o curso que eu fiz no Pronatec foi o responsável por essa mudança na minha vida. Hoje sou feliz onde estou e gosto muito do que faço”, relatou.

Os benefícios do programa também chegaram à casa de Luís Gonzaga Alves Filho e Edna Araújo. Ele fez curso de Produção de Pescado e sua esposa de Preparo de Pescado. Com isso, ele aperfeiçoou suas habilidades na área de criação de peixe e ela passou a fazer pratos diferentes para atrair clientes.

Isso contribuiu para que o restaurante, localizado no sítio do casal, se transformasse em um negócio rentável para a família. “Eu trabalhava como segurança em Brasília e queria voltar, quando cheguei, fiz o curso do Pronatec e, se antes eu produzia três mil quilos de peixe, hoje, com os conhecimentos adquiridos no curso, eu produzo sete mil. Meu objetivo é, no próximo ciclo, chegar aos dez mil quilos”, disse.

E são histórias como essa que servem como medidor da eficácia do programa. “Desde o surgimento do Pronatec, em Campo Maior, nós temos centrado esforços para que ele dê certo. Nosso maior objetivo é a inserção das pessoas no mercado de trabalho, no empreendedorismo. Nossa política é centrada na educação técnica, por entendermos que, com isso, há a ruptura da pobreza e as pessoas adquirem uma dignidade sustentável, estamos garantindo direitos, assegurados pela Constituição”, disse a secretária municipal de Desenvolvimento Social, Transferência de Renda e Economia Solidária, Conceição Lima.

Pessoas com deficiência têm chance de mudar de vida

O número de pessoas aptas a ter acesso ao Pronatec é bastante amplo e alcança inclusive pessoas com deficiência.

Em Campo Maior, essa possibilidade já vem contribuindo para mudar a realidade dessa parcela da população, que, por muito tempo, foi vista como pessoas que eram incapazes de estudar e trabalhar.

A cadeirante Maria Páscoa da Silva, recepcionista em uma clínica da capital, fez o curso de Técnico de Computador e conseguiu, graças a ele, aperfeiçoar seus conhecimentos, para melhor desenvolver o seu trabalho. “Antes eu tinha muita dificuldade em operar o computador, principalmente a internet. Com o curso, eu aprendi muita coisa e hoje o computador não é mais um problema, no meu dia a dia no trabalho”, afirmou.

A secretária explica que eles estão entre os grupos prioritários e, quando surgem as vagas, eles são os primeiros a serem matriculados, caso tenham interesse em fazer algum dos cursos ofertados. O Pronatec, na cidade, possui 28 pessoas com deficiência matriculadas nos mais variados cursos.

“Para facilitar ainda mais o acesso deles às salas de aula, nós compramos o transporte eficiente, todo equipado para o conforto dessas pessoas. Nós estamos definindo a rota e, em breve, vamos pegá-los e levá-los até o local onde fazem o curso. Ainda não iniciamos por causa do período eleitoral”, disse Conceição.

Além das pessoas com deficiência, o Pronatec é voltado ainda para qualquer pessoa beneficiária dos programas sociais do Governo Federal, pessoas em situação de vulnerabilidade social, dependentes químicos, apenados, dentre outros.

Apenados e dependentes químicos têm chances de ser inseridos no mercado de trabalho

Apenados e dependentes químicos também estão entre os grupos de pessoas aptas a pleitear as vagas oferecidas pelo Pronatec na cidade de Campo Maior. E essa possibilidade está oferecendo-lhes uma nova chance de mudar de vida, com a inserção no mercado de trabalho e, inclusive a possibilidade de abrir o próprio negócio.

Por 20 anos, Luis Gonzaga, de 50 anos de idade, foi dependente de álcool e sofreu as consequências do vício. Hoje, ele conta que já começou a mudar de vida e quer dar continuidade a esse processo, que teve início com a matrícula no curso de Mecânica, do Pronatec. O próximo passo, agora, é montar seu próprio negócio. “Eu sempre tive vontade de trabalhar com isso, mas nunca tive chance de fazer um curso na área e aprender mais sobre isso. Mas consegui com o curso do pronatec. Agora pretendo abrir meu próprio negócio e voltar a ter uma vida normal”, pontuou.

Quem também afirmou que pretende voltar a trilhar o caminho dos estudos e do trabalho é o menor de iniciais G.L.

Ele está cumprindo pena em regime semiaberto, segundo o qual ele precisa se recolher todas as noites em sua residência. Durante o dia ele usa as suas horas vagas para se aperfeiçoar e conseguir aprender uma profissão. A chance veio com o Pronatec de Campo Maior. Ele já fez o curso e Mecânica e pretende fazer o de Eletricista, para decidir em qual área pretende atuar.
“Não gostei muito do curso de Mecânica, não sei se é o que eu quero, agora pretendo fazer o de Eletricista, que é a profissão que eu pretendo seguir. O Pronatec me ensinou a dar mais valor às coisas. Eu quero voltar a estudar e mudar de vida”, disse.

Marcos Antônio Pereira, do Conselho de Execução Penal, afirma que as chances dadas pelo Pronatec a esses apenados é de grande importância para a sua reinserção no mercado de trabalho. “Hoje nós estamos com dez deles frequentando os cursos do Programa e desde que começou já foram 70 apenados que passaram pelas salas de aula do Pronatec aqui em Campo Maior. Os resultados são muito bons e nós não temos reincidência. Todos eles voltam a ter uma vida digna”, garantiu.




Fotos: Kelson Fontinele

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Fonte: Pollyana Carvalho