Inclusão: ONG se destaca na inclusão de deficientes no mercado de trabalho no PI

Inclusão: ONG se destaca na inclusão de deficientes no mercado de trabalho no PI

Atuando em todo o Brasil, a AVAPE é uma organização não-governamental que funciona através de parceria com o Banco Interamericano

?Se encontrar emprego gozando de boa saúde é difícil, imagina quando é aleijado??, é uma indagação comum feita por uma série de deficientes físicos que lutam por uma vaga no mercado de trabalho. Desamparados, muitos desistem de tentar e se entregam ao ostracismo: uma tática que não surte resultados e contribui para a depressão.

Felizmente, a Associação de Valorização da Pessoa com Deficiência (AVAPE) promove a inclusão social destas pessoas no disputado mercado de trabalho.

A AVAPE é a primeira iniciativa do Estado a prestar um trabalho de melhoramento especificamente voltado para o melhoramento e inserção da juventude deficiente nas empresas da cidade.

A sede da ONG funciona no Centro Pastoral Paulo VI e oferta uma série de cursos que visam a capacitação profissional deste segmento de pessoas.

Marcos Júnior dos Santos Oliveira, coordenador da organização, vai além e informa que ?a AVAPE não é apenas um curso. É um meio de transformação da autoestima e bem-estar do deficiente físico?, caracteriza.

Marcos tem razão. Assim que adentram à instituição, os deficientes mudam de aparência, adquirem segurança e ganham instrução para se sentirem mais capacitados a disputar uma vaga de emprego.

Por outro lado, a AVAPE visita as empresas da cidade e sensibiliza os empresários para que eles disponham a ofertar postos de trabalho voltados para os deficientes físicos. Uma tarefa difícil que a cada dia traz resultados ainda mais positivos.

A resposta é tão satisfatória que os alunos não demoram muito tempo para conseguir emprego. O coordenador Marcos Júnior conta que a AVAPE recebeu alunos que foram empregados quase no instante que chegaram para fazer a inscrição.

O processo é rápido e dura cerca de duas semanas. Os cursos duram em média 20 dias e acontecem sempre no turno da manhã, das 8 horas ao meio-dia.

Para continuar oferecendo serviços para os deficientes, a AVAPE precisa do máximo de divulgação que conseguir. O serviço é totalmente gratuito e as pessoas que se interessarem em conseguir emprego devem procurar a ONG para fazer um cadastro pessoal. Logo após são encaminhadas para triagem com assistente social e finalmente direcionadas para um dos três programas de atuação da ONG.

AVAPE trabalha com três frentes de inclusão

Para ofertar um serviço de qualidade com o poder de abranger a maior fatia possível da juventude com deficiência, a AVAPE trabalha com três programas distintos de capacitação.

O programa principal chama-se "Levanta-te e Vem ao Meio", uma alusão clara à passagem bíblica onde Jesus Cristo curou um deficiente físico.

O primeiro projeto é o de capacitação profissional, voltado para pessoas com deficiência social. "É uma vertente exclusivamente voltada para pessoas em situação de risco e estado crítico de pobreza", define o coordenador Marcos Júnior.

O projeto já ofereceu cursos na Casa de Zabelê, vila Anita Ferraz e Centros de Referência de Assistência Social (CRAS). Neste momento a ONG oferta um curso de camareira no bairro Palitolândia, zona Sul de Teresina.

Marcos diz que os cursos foram pensados para combater problemas contemporâneos, como gravidez na adolescência, drogas e prostituição.

A resposta dos alunos é positiva e a AVAPE pretende ir mais vezes às ruas para continuar oferecendo o benefício para a juventude carente. "Aqui promovemos meios das pessoas se integrarem.

Evitamos ficar presos a quatro paredes e vamos até onde as pessoas precisam", fala o coordenador. A ideia de expandir a AVAPE para as ruas surgiu da ideia de abranger ainda mais deficientes e tem demanda positiva.(O.B.)

Nascida há 30 anos na fábrica de automóveis Volkswagen, a AVAPE é uma ONG que funciona em todo o território nacional através de parceria com o Banco Interamericano.

Em Teresina, está sediada no Centro Pastoral Paulo VI, localizado na Avenida Frei Serafim. A organização local presta conta com a matriz e deve manter alto nível de excelência para continuar prestando serviços na cidade.

O centro de assistência possui um sistema interligado com a matriz e tem conhecimento de tudo o que acontece em todas as filiais. ?Não é à toa que nos destacamos frente a outras organizações e até empresas particulares de capacitação de pessoal: nós precisamos mostrar resultados para continuar operando?, diz a psicóloga Rafaella Coleho Sá.

Não é à toa que os alunos adoram e se sentem muito bem representados na instituição. O aluno Francisco Wellington, de 30 anos, perdeu a perna em um acidente e hoje faz uso de uma perna mecânica.

Ele soube da AVAPE por acaso e hoje está no terceiro curso. Como é de se esperar, ele não poupa elogios à ONG.

?Graças aos cursos, estou me reabilitando para voltar ao mercado de trabalho com uma bagagem única. Tenho certeza absoluta de que serei aproveitado quando surgirem as próximas seleções, pois levo para sempre o conhecimento que adquiri na AVAPE?, diz.

AVAPE sensibiliza empresas a contratar mais deficientes

Empregar pessoas com deficiência física é uma tarefa árdua também para as empresas, que preferem não correr riscos e contratar profissionais para atuarem nas áreas mais simplórias.

Para mudar este cenário e tornar o ambiente profissional mais propício a todos, a AVAPE procura alertar o maior número possível de empresas a contratar deficientes e hoje mantém parcerias com 48 firmas em todo o estado.

A chave do sucesso é buscar fazer a flexibilização de cargos nas companhias. "Não queremos que a deficiência vire doença. Eles são tão capazes quanto os considerados normais e se esforçam muito para realizar um bom trabalho.

Nossa tarefa é mudar essa definição que deficiente só serve para ocupar os cargos de auxiliar de serviços gerais", esclarece a psicóloga Rafaella Coelho Sá.

A contratação de deficientes físicos é um direito assegurado por lei e a AVAPE oferece esta mão de obra gratuitamente para as firmas. Antes de se comprometerem a entregar qualquer vaga, uma equipe de profissionais faz o levantamento completo de todas as condições de trabalho das empresas.

"Todas as pessoas tem algum tipo de limitação, logo, é necessário que os empresários e contratantes abram os olhos para a necessidade de contratar profissionais de qualidade", alerta a psicóloga.

Algumas empresas já entendem a causa, mas vários lugares ainda precisam enxergar o deficiente como pessoas proativas que podem crescer dentro do trabalho. As empresas precisam flexibilizar os postos de trabalho e notar que os deficientes condições e muita força de vontade para trabalhar.(O.B.)

Alunos da AVAPE são absorvidos pelo mercado

Estratégia de sucesso que deu certo, os alunos da Associação Para Valorização de Pessoas com Deficiência conseguem se inserir com facilidade no mercado de trabalho.

O jovem Alberto Monção é um exemplo bem-sucedido da empreitada. Deficiente físico com problemas de locomoção, ele chegou a trabalhar antes de ser atendido pela ONG, mas o antigo emprego não fornecia alternativas de acessibilidade.

"No outro emprego precisava subir e descer escadas e carregava peso em um local que não praticava a acessibilidade. Descobri a AVAPE na internet, realizaei o curso de empregabilidade e relações interpessoais e hoje trabalho num lugar que preza pela minha condição", conta Alberto Monção.

Ele diz que, para quem não está inserido no mercado de trabalho, os cursos ofertados lá são uma porta de entrada para o sucesso. Alberto convida todas as pessoas com deficiência para se juntarem à AVAPE e conquistarem o sonho do emprego.(O.B.)

Fonte: Olegário Borges e Francisco Lima