Não são raros casos de jovens que tiveram infarto

Não são raros casos de jovens que tiveram infarto

Não são raros os casos de homens ou mulheres jovens que já tiveram infarto.

Muita gente se pergunta sobre os motivos que podem desencadear a ocorrência de um infarto em pessoas relativamente jovens, nas quais o problema quase nunca é esperado.

O caso do empresário de 35 anos que morreu ao sofrer um infarto ao volante na última segunda feira (23), na cidade de Timon-MA, chamou a atenção para esse questionamento mais uma vez.

O Jornal Meio Norte ouviu o médico cardiologista Benício Sampaio, diretor do Hospital Aliança Casamater, para esclarecer alguns pontos acerca desta questão. Afinal, em que circunstâncias podem ocorrer problemas cardíacos em pessoas tão jovens?

?São ocorrências relativamente incomuns. Mas há alguns fatores que podem causar uma obstrução coronária precoce, como o fumo, o diabetes e, principalmente, a hipertensão, que é a doença crônica mais comum no mundo, acometendo 25% dos adultos. Os fatores hereditários devem ser considerados e analisados também?, disse o médico.


Infarto tem idade?

No aspecto genético, há a possibilidade de o paciente nascer com uma artéria passando por dentro de um feixe muscular, ou ainda haver um problema relativo à origem da artéria coronária, que pode nascer na região da artéria pulmonar, em vez de nascer na aorta, como seria esperado.

O Dr. Benício explica que, com os avanços da medicina, esses problemas congênitos podem ser identificados ainda na concepção, facilitando intervenções mais precisas para, na medida do possível, sanar o problema.

Outro fator que pode gerar complicações que concorrem para o infarto em pessoas jovens é a chamada febre reumática, que costuma manifestar-se mais ou menos aos 12 ou 13 anos de idade.

Ela origina-se devido a uma infecção estreptocócica, habitualmente originada na região da garganta, e pode comprometer a integridade das válvulas cardíacas, causando um quadro de insuficiência. ?Também há doenças virais que atingem o coração?, ressaltou Sampaio.

O médico explicou também que um dos fatores que mais vem causando infarto em pessoas jovens é, infelizmente, o uso de drogas, sobretudo a cocaína, cujo uso contrai muito as artérias do coração.

?Isso não quer dizer que os casos registrados ultimamente tenham ocorrido por esse motivo, mas é um ponto que vem causando muita preocupação quanto à ocorrência de problemas cardíacos em pessoas relativamente jovens?, complementou.


Infarto tem idade?

Controlar pressão é principal arma contra os males do coração

Apesar da ênfase dada pelo senso comum, nem sempre uma morte súbita é causada por um infarto. Ela também pode ser provocada por uma arritmia grave, uma miocardiopatia, embolia pulmonar, aneurismas, entre outros riscos.

Mas falando especificamente dos males do coração, a forma mais eficaz de prevenir imprevistos é o controle sistemático da pressão arterial.

"Lamentavelmente a hipertensão é uma doença silenciosa, na qual a pessoa não sente nada, e que pode causar problemas graves, tanto no cérebro quanto no coração.

Pode causar acidente vascular cerebral, insuficiência cardíaca, infarto agudo do miocárdio, enfim, em todas as doenças do aparelho cardiovascular, o fator de risco mais importante é a hipertensão arterial", ressaltou Benício Sampaio.

No entanto, os cuidados com a pressão costumam ser negligenciados até mesmo por quem já foi diagnosticado com o problema. Segundo o Dr. Sampaio, aproximadamente 12 a 15% das pessoas que têm hipertensão arterial controlam a pressão adequadamente. (D.L.)

Correria, stress e um infarto aos 32 anos

Há dois anos, o motorista Márcio Wanderley Rodrigues estava vivendo uma situação de stress extremo. Ele estava trabalhando muito e lidava com os pormenores relativos à montagem de uma empresa.

Dormia pouco, vivia em uma eterna correria, fazia mil coisas ao mesmo tempo. O resultado dessa combinação explosiva quase o tirou desta vida.

Márcio sofreu um infarto enquanto cochilava após mais um dia de trabalho. Ele acordou com uma dor intensa no peito. Ele narra o episódio: "Lembro que passava um pouco das 23h.

Eu estava cochilando, e de repente acordei com uma dor no peito, que apertava cada vez mais. Reconheci na hora que poderia ser um infarto, e imediatamente liguei para uma tia minha, que me levou às pressas para o hospital", diz ele.

Depois da constatação do quadro de infarto, ele foi submetido a um cateterismo. "Os médicos constataram que havia uma situação grave de entupimento na veia coronária". Posteriormente, seguiram-se vários dias até a recuperação total e a alta hospitalar.

"Na recuperação, tive que aprender a controlar meus hábitos alimentares a pedido dos médicos. Cortei o consumo exagerado de carnes vermelhas e gorduras, por exemplo. Mantenho até hoje uma alimentação regrada. Além disso, faço exames de seis em seis meses para acompanhar a situação do coração", disse ele.

O mais curioso é que Márcio já sabia que poderia incorrer em uma situação de ataque cardíaco. "Eu fui avisado por médicos de que minha rotina anterior poderia me levar a uma situação como essa", complementou ele.

O fato de conhecer os sintomas de um infarto ajudou a salvar a vida do motorista. "Quando os sintomas começaram, eu tinha plena consciência do que poderia estar acontecendo. Por isso, pude pedir ajuda com rapidez, finalizou Márcio.

Mas e quanto aos riscos de uma morte súbita ao volante, em casos parecidos com o ocorrido na semana passada em Timon? De acordo com o Dr. Benício Sampaio, não há restrições significativas, quanto ao hábito de dirigir, para pessoas com problemas cardíacos.

"Hoje, o ato de dirigir não é considerado como uma atividade de grande esforço, pelo fato de que os carros estão mais modernos, com direção hidráulica ou elétrica, câmbio automático, entre outros.

No entanto, vale ressaltar que os motoristas profissionais são obrigados a fazer exames anuais para saber como está o coração, coisa que todos deveriam fazer", ressaltou o médico.

Fonte: Dowglas Lima