Americana diz que revista em aeroporto é um ataque sexual

Nancy Campbell ia de Nova York para Washington quando foi selecionada pela segurança do aeroporto.



Uma americana que teve que passar por uma revista íntima em um aeroporto de Nova York comparou a experiência a um "ataque sexual".

Nancy Campbell, de 33 anos, é do bairro do Brooklin, em Nova York e ia fazer uma viagem de negócios para Washington saindo do aeroporto de La Guardia.

A americana tentava pegar o voo da manhã quando foi selecionada por uma oficial da Administração de Segurança de Transportes dos Estados Unidos (TSA, na sigla em inglês) para uma revista.

"(A oficial) me pediu para abrir as pernas e braços... e ela explicou que iria me revistar começando com a parte de fora dos meus braços e a parte de fora da minhas pernas e então (revistaria) a parte de dentro."

"O que eu não estava preparada era para o exame total de meus seios e, quando ela acabou, pedi para parar, falei que já era o bastante", disse.

Mas, Nancy disse que, se a revista não fosse permitida, ela não entraria no voo. Como a viagem a trabalho era importante, a passageira sentiu que não tinha outra escolha a não ser concordar.

"Ela basicamente tocou as partes de dentro de minhas pernas - tocando minha virilha e minhas nádegas, e não me oferecendo nenhuma alternativa."

Nancy entrou com uma reclamação junto à TSA.

Polêmica

Existem outros casos em que as revistas íntimas em aeroportos americanos acabaram gerando polêmica entre os passageiros.

Quando os passageiros se recusam a passar pelos scanners de corpo inteiro, introduzidos em 2010 nos aeroportos dos Estados Unidos, eles podem ser submetidos a este tipo de revista.

O caso de Nancy Campbell não é o único. Chris Anderson, editor do caderno de viagens do jornal The Huffington Post, afirmou que a reação a este tipo de revista é de "escândalo" em muitos casos.

Anderson lembra que toda semana há algo no noticiário relativo a isto que deixa o público insatisfeito.

"Quando você vê uma garotinha sendo revistada... as pessoas não gostam disto. Quando você vê uma mulher de 95 anos que teve sua fralda geriátrica inspecionada, eles, compreensivelmente, não gostam disto. Mas, de novo, se você olhar do ponto de vista da TSA, eles têm que revistar todo mundo", disse.

A associação internacional de transporte aéreo, Iata (que representa 230 companhias aéreas), também está lidando com este dilema e tem propostas para modernizar as checagens de segurança.

"Nossos passageiros deveriam poder ir até o portão (de embarque) com dignidade, sem parar, sem desfazer a mala e, certamente, sem apalpadas", disse Giovanni Bisignani, diretor-geral da Iata.

A organização tem um plano para separar os passageiros em três categorias: os "conhecidos", que já se registraram e tiveram checagens completas por parte das autoridades do governo; os "normais", para a maioria dos passageiros e a terceira categoria, e os de "alto risco", que seriam os passageiros que têm menos informações disponíveis e seriam alvo de mais checagens.

Políticos

Os políticos americanos começaram a prestar mais atenção às revistas íntimas.

Em maio, legisladores do Texas tentaram aprovar uma lei que transformará o toque inapropriado de partes íntimas em um crime com pena de até um ano de prisão.

O Departamento de Justiça reagiu à proposta de lei afirmando que, se fosse aprovada, aviões não teriam mais permissão para pousar no Texas, o que fez com que o projeto fosse rejeitado.

David Simpson, o legislador texano por trás do projeto, pretende continuar pressionando.

"(As revistas íntimas) Nos desumanizam, nos tratam como gado e passam a mensagem errada. (As autoridades) Não deveriam ter permissão para tocar nossas partes íntimas sem uma razão", disse.

Legisladores dos Estados americanos de Pensilvânia, Nova Jersey, Havaí, New Hampshire e Utah também iniciaram os esforços para proibir as revistas íntimas.

A TSA, por sua vez, não deu entrevista a respeito da polêmica e enviou uma declaração na qual afirma que estas revistas "são importantes para ajudar a TSA a detectar objetos perigosos escondidos, como dispositivos explosivos caseiros" e acrescentou que apenas "uma pequena porcentagem de passageiros precisam das revistas durante os processos de segurança".

A agência afirma que as revistas são "conduzidas por oficiais do mesmo sexo (que o do passsageiro) e todos os passageiros tem o direito de solicitar a qualquer momento que o exame seja privado".

Nancy Campbell, por sua vez, afirmou que estas revistas podem ser contraproducentes.

"Existe um estímulo por parte do governo para mantermos a cabeça baixa e ajudar a tornar nosso país mais seguro, mas se o governo abusa da autoridade para com seus cidadãos, como iremos nos sentir parte de uma grande equipe?"

Fonte: g1, www.g1.com.br