Doenças e fome se alastram pelo Paquistão

Desastre matou ao menos 1.643 e deixou 6 milhões de desabrigados

Um mês depois que chuvas de monções torrenciais causaram o pior desastre natural da história do Paquistão, a enchente começa a recuar. Contudo, as águas estão deixando os sobreviventes sob o risco e morte por causa de doenças e fome.

O desastre já matou ao menos 1.643 pessoas e deixou mais de seis milhões de desabrigados, causando bilhões de dólares de danos à infra-estrutura e à agricultura do país.

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Apesar de as águas terem baixado, as autoridades ainda lutavam para salvar a cidade de Thatta, no delta do Rio Indo, 70 km a leste de Karachi, na província de Sindh no sul do país. "Thatta será inundada se essa água não vazar para o mar. A situação é crítica", disse Riaz Ahmed Soomro, a autoridade responsável pelo resgate em Thatta.

Soomro disse que 95% dos 300 mil residentes do delta do Rio Indo já haviam deixado o local. "Somente alguns homens das famílias que vivem aqui ficaram para proteger a propriedade deles."

As enchentes começaram no fim de julho com chuvas de monções torrenciais no alto da bacia do Rio Indo no noroeste do Paquistão.

Autoridades meteorológicas disseram que o nível das águas está diminuindo e que eles não esperam mais chuvas nos próximos dias. "Mas vai levar de 10 a 12 dias para os rios em Sindh voltarem ao normal", disse Qamar uz-Zaman Chaudhry, principal autoridade meteorológica do governo.

O número de mortos deve aumentar significativamente à medida que os corpos de muitas das pessoas desaparecidas são encontrados. A Organização das Nações Unidas (ONU) disse que está preocupada com a fome e as doenças, especialmente entre as crianças, numa região onde a desnutrição já era um problema antes das enchentes.

Autoridades da ONU estimam que umas 72 mil crianças já afetadas por desnutrição severa na região das enchentes correm perigo de vida.

As enchentes danificaram ao menos 3,2 milhões de hectares de terras agrícolas, aproximadamente 14% da terra cultivada do Paquistão, segundo a ONU.

Fonte: g1, www.g1.com.br