Empresário americano é mantido preso em fábrica por funcionários

Eles pedem um pacote de indenizações semelhante ao concedido a 30 empregados que foram desligados da empresa

Um empresário americano está sendo mantido refém há quatro dias dentro da própria fábrica, no Parque Científico e Tecnológico de Jinyurui, no subúrbio de Pequim, na China. Chip Starnes é sócio de uma fábrica de suprimentos médicos e foi impedido de sair do local por funcionários da companhia. Eles pedem um pacote de indenizações semelhante ao concedido a 30 empregados que foram desligados da empresa.

O empresário de 42 anos, sócio da Coral Springs, empresa da Flórida, recebeu a visita de autoridades locais. Ele foi instruído a assinar o acordo para satisfazer o pedido de dezenas de funcionários, mesmo que eles não estejam em processo de demissão. O grupo de chineses bloqueou as saídas da fábrica e, segundo a agência de notícias Associated Press, dificulta o sono do americano, colocando focos de luz em cima de Starnes e batendo nas janelas do escritório.

- Eu me sinto como um animal preso - desabafou ele, da janela do escritório, à AP. - Eu acho que é desumano o que está acontecendo aqui agora. Eu trabalho por aqui há dez anos e criei muitos empregos. Nunca imaginei, nem em meus pensamentos mais distantes, que algo assim poderia acontecer.

Os funcionários que permanecem na fábrica se recusam a falar com a imprensa internacional. Ainda de acordo com a AP, não é raro na China que empresários sejam presos por empregados que demandam benefícios.

A polícia local se recusou a comentar o assunto, mas informou que há policiais lá, para manter o controle da situação.

- Até onde eu sei, há uma disputa trabalhista entre os funcionários e a direção da companhia, e a disputa está sendo resolvida. Não estou certo dos detalhes, mas posso garantir a segurança pessoal do administrador - afirmou Zhao Lu, da Secretaria de Segurança Pública de Huairou.

A embaixada americana também confirmou que as duas partes estão chegando a um acordo, e que Starnes está em contato permanente com os advogados. O executivo está movendo, gradualmente, alguns setores da companhia para a Índia. Algumas pessoas demitidas trabalhavam na companhia há nove anos, por isso ganharam indenizações ?muito boas?. Quando os outros ficaram sabendo das indenizações, e da mudança da companhia, decidiram exigir o mesmo pacote de compensações, mesmo que não trabalhem nos setores que serão transferidos.

Fonte: Extra