Estados Unidos monitoraram telefonemas de 35 líderes mundiais

Nomes dos alvos de suposta escuta não foram citados

A americana Agência de Segurança Nacional (NSA) monitorou conversações telefônicas de 35 líderes mundiais, após ter tido acesso a seus números por meio de outra agência federal, segundo documento vazado pelo ex-consultor Edward Snowden e divulgado nesta quinta-feira (24) pelo jornal britânico "Guardian".

O memorando confidencial revela que a NSA encoraja seus funcionários mais graduados na Casa Branca, no Pentágono e no Departamento de Estado, entre outros órgãos, a compartilhar suas agendas, obtendo assim acesso aos números de telefone dos líderes.

Apenas um destes responsáveis, cuja identidade e função não foram reveladas, entregou "200 números, entre eles os de 35 dirigentes mundiais", comemoram dirigentes da NSA no documento, acrescentando que o monitoramento destes números não deu grandes resultados.

O documento não dá os nomes dos líderes que teriam sido espionados.

O texto obtido pelo "Guardian", datado de 27 outubro de 2006, sugere que esse monitoramento não foi um caso isolado - a NSA pede aos responsáveis de vários organismos que "compartilhem seus números de telefone e endereços (e-mail) com a agência".

Segundo o jornal, ele mostra como autoridades americanas que têm contato diplomático com líderes mundiais e políticos podem ajudar na espionagem eletrônica praticada pelas agências de inteligência.

A Casa Branca não respondeu diretamente às denúncias. O porta-voz Jay Carney, falando genericamente na sua entrevista diária, disse que os vazamentos claramente "causaram tensões" no relacionamento americano com alguns países, e que os EUA estão tratando das questões pelas vias diplomáticas.

A revelação do "Guardian" ocorre um dia após o governo alemão ter afirmado que o celular da chanceler Angela Merkel pode ter sido "grampeado" pelos EUA.

O incidente está azedando as relações entre os EUA e seus aliados europeus.

Outros países, como o Brasil, foram alvo da suposta espionagem americana, segundo os documentos vazados por Snowden, atualmente asilado na Rússia e procurado pelas autoridades americanas.

Fonte: G1