Israel ameaça solução de dois Estados, diz autoridade palestina

O estabelecimento de um Estado da Palestina viável política e economicamente é impossível

A Autoridade Palestina advertiu este sábado que o atoleiro em que se encontram as negociações de paz com Israel ameaça uma solução de dois Estados e terminará com um Estado único e segregacionista. "Sem acordo político justo e duradouro (...), os israelenses e os palestinos vão, inevitavelmente, se encontrar em um único Estado governado pelos princípios do apartheid", diz um documento da Autoridade Palestina, redigido às vésperas de uma reunião de doadores internacionais, prevista para segunda-feira em Nova York.

"O status quo não é sustentável, nem política nem economicamente", prossegue o informe, enviado à imprensa na noite deste sábado pela Autoridade Palestina. "O estabelecimento de um Estado da Palestina viável política e economicamente é impossível sem o fim da ocupação israelense em toda a Cisjordânia e Faixa de Gaza, inclusive em Jerusalém oriental", acrescenta o documento de 22 páginas.

No informe se solicita aos países doadores que pressionem Israel para que desmonte os controles militares da Cisjordânia e permita o desenvolvimento de todo o território palestino, inclusive na chamada zona "C", sob controle total civil e militar israelense, que se estende a 60% do território da Cisjordânia. O texto também pede que os protestos internacionais pela demolição de casas de palestinos se dirijam a Israel.

Trinta organizações não governamentais pediram esta sexta-feira ao Quarteto para o Oriente Médio (Estados Unidos, Rússia, União Europeia e ONU) que intervenha para "salvar os povos palestinos", que são objeto de ordens de demolição israelense no sul da Cisjordânia. Segundo o último informe semanal do Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), Israel destruiu desde o começo do ano 465 estruturas pertencentes a palestinos na Cisjordânia ou em Jerusalém oriental, das quais 136 eram residências, o que provocou o deslocamento de 676 pessoas.

Fonte: Terra, www.terra.com.br