Jovem inglesa fala sobre mudança de sexo do pai de 54 anos

Jovem inglesa fala sobre mudança de sexo do pai de 54 anos

John Ozimek, de 54 anos, contou para a filha que sempre se sentiu uma mulher.

Tash Ozimek tinha 16 anos quando o pai a chamou para conversar e perguntou qual seria a coisa mais vergonhosa que ele poderia fazer com ela. Depois de pensar por alguns minutos, a adolescente respondeu que ficaria com muita vergonha se ele se vestisse de mulher na frente dos amigos dela. A resposta foi seguida de algum tempo de silêncio, até que o pai disse que era exatamente o que ele pretendia fazer.

John Ozimek, de 54 anos, contou para a filha que sempre se sentiu uma mulher, que estava muito infeliz como homem e pretendia mudar de sexo. Tash caiu em lágrimas e continuou a chorar por alguns dias.

- Meu pai queria conversar comigo sobre o assunto, mas eu não queria falar sobre isso. É a última coisa que você espera ouvir do seu pai - relembrou a jovem, agora com 18 anos.

Segundo Tash, que vive na cidade de Suffolk, na Inglaterra, o pai tinha o jeito bem masculino e ela nem desconfiava dos sentimentos dele. John, consultor de tecnologia graduado na conceituada Universidade de Oxford, costumava vestir calça jeans e não se importava muito com a aparência. Às vezes até paquerava as amigas da filha.

A conversa entre os dois aconteceu há dois anos. Em julho do ano passado, John se submeteu a uma cirurgia de mudança de sexo e passou a viver como Jane Fae. E confessa que estava aterrorizado com a reação que a filha poderia ter.

- Eu acho que toda pessoa envolvida com alguém em processo de transição de gêneros tem uma sensação de perda. Eu me sinto responsável pela minha decisão, tanto pelo lado bom quanto pelo mau. Isso me incomoda, mas ter permanecido homem seria ainda pior para mim - contou a agora Jane.

Antes de tomar a decisão, John vivia com Tash, a mulher Andrea Fletcher, o filho deles de sete anos e a filha dela, de 18 anos. Agora, vivendo como Jane, a relação com Andrea está ?progredindo?. Mas os filhos enfrentam os maiores desafios.

- Eu ainda o chamo de pai, porque a palavra representa um papel para nós, e não um gênero. Jane não é minha mãe e eu não vou inventar uma nova palavra só porque perdi meu pai - explica ela em entrevista ao jornal ?Daily Mail?.

O mesmo não acontece com Ralfe, que no ano passado comprou um cartão de Dia das Mães para Jane.

- Nós dissemos para ele que alguns pais gostam de vestir saias e que o nosso pai gostaria de ser uma grande dama. E desde então Ralf chama papai de Jane - disse Tash.

Apesar das difíceis mudanças, a jovem diz que não gostaria de ter John de volta como antigamente.

- Agora eu não consigo imaginar o meu pai de outro jeito. Quando você vê alguém que ama tanto feliz, realmente não importa o que ele está fazendo para conseguir tanta felicidade - concluiu Tash.

Fonte: Extra