Militares do Egito suspendem Constituição e dissolvem Parlamento

Forças Armadas dizem que transição vai durar seis meses ou até nova eleição

O Conselho Supremo das Forças Armadas do Egito, que governa o país desde a queda do ex-presidente Hosni Mubarak, na última sexta-feira (11), anunciou neste domingo (13) a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição do país africano.

Os militares também disseram que o processo de transição para um governo civil e democrático "durará seis meses ou até que um novo Parlamento seja eleito".



A Constituição é a carta de leis que rege um país, enquanto o Parlamento é o conjunto dos representantes - em países democráticos, eleitos pelo povo - que propõem e aprovam projetos e fiscalizam a ação do governo.

Com a dissolução do Parlamento e a suspensão da Constituição, o conselho rompe completamente com a antiga legislatura e dá a entender que, durante o período de transição, terá poderes extras para comandar o país.

O comunicado do conselho informa que as duas câmaras do Parlamento foram dissolvidas. A eleição legislativa do fim do ano passado havia sido denunciada como fraudulenta pela oposição.

Além disso, os militares também anunciaram a criação de uma comissão para reformar a Constituição e a organização de um referendo sobre as futuras emendas constitucionais.

O gabinete de governo do Egito fez neste domingo a sua primeira reunião desde que o presidente Mubarak deixou o poder. Seus integrantes são os mesmos apontados pelo ex-presidente dias antes de renunciar. Eles foram mantidos pelo Comando Militar para que realizem os trabalhos de transição política.

O anúncio dos militares vem pouco depois de o primeiro-ministro Ahmad Shafiq afirmar que restaurar a segurança é a prioridade do Egito neste momento.

- A prioridade deste governo é restaurar a segurança e facilitar a vida cotidiana da população.

Manifestantes permanecem na praça Tahrir

Apesar dos apelos e da pressão do Exército, manifestantes que permanecem acampados na praça Tahrir, no Cairo - epicentro da revolta popular que derrubou Mubarak -, se recusam a deixar o local neste domingo (13). Tiros foram ouvidos nos arredores do Ministério do Interior, onde a polícia fazia manifestação por melhores salários.

Os manifestantes que ficaram no local dizem que só sairão do acampamento quando o Comando Militar, que assumiu o poder no lugar de Mubarak, implementar reformas democráticas. Neste domingo, houve momentos de empurra-empurra entre acampados e soldados, que insistem em liberar a praça.

"O Exército e as pessoas estão unidas" e "revolução, revolução até a vitória" eram frases gritadas pelos manifestantes depois que a polícia militar ordenou a retirada de barracas da praça.

O trânsito foi restabelecido em quase toda a praça Tahrir, mas centenas de pessoas permanecem reunidas no local. Os jovens que tomaram o controle da área por 18 dias impediram a entrada de carros na parte central da praça, mas, em outras regiões, os veículos já circulam normalmente.

Fonte: R7, www.r7.com