Mineiro pretende voltar a trabalhar em subsolo

Omar Reygadas diz que já aceitou trabalho em outra mina, e que espera mais segurança no trabalho

Omar Reygadas, o 17º mineiro a ser resgatado em Copiapo, no Chile, diz que pretende voltar às minas. O mineiro afirmou que vai lutar por melhores condições de trabalho para os colegas.

Em entrevista à BBC, Reygadas disse que a experiência o transformou em um novo homem e o deu mais uma chance para viver.

"Parecia que a terra estava dando à luz e eu era seu filho. Eu nasci de novo."

Mas apesar do sentimento de ter nascido novamente, Reygadas afirma que não pretende mudar de profissão.

"Eu sou um mineiro. Gosto de trabalhar no subsolo e me sinto bem trabalhando em uma mina. Já recebi uma oferta de outra mina e já aceitei", declarou.

Ele afirmou ainda que todos os mineiros sabiam que havia riscos em San José e eram pagos a mais por isso. Mas que agora será diferente: "Eu vou trabalhar com uma mentalidade diferente. Vou cuidar de mim mesmo e me certificar de que a mina está em boas condições".

Os planos do mineiro também incluem usar sua fama recente para pressionar por uma melhor regulação da indústria de mineração no Chile. Para Reygadas, é importante que uma junta reguladora visite as minas com mais freqüência, para que os homens trabalhem com segurança.

"Todos os mineiros sabem que, quando entram na mina para trabalhar, eles podem não sair vivos."

Fama e saúde

Em casa, Omar Reygadas diz se sentir bem. Ele ainda precisa usar os óculos escuros que recebeu durante o resgate, mas diz que seus olhos devem estar completamente adaptados em alguns dias.

Ele também passou por uma cirurgia nos dentes horas depois de deixar a mina.

Agora, ele e os outros 32 mineiros resgatados tem planos de criar uma fundação com todo o dinheiro que receberem para dar entrevistas. Eles irão dividir as quantias por igual.

No entanto, Reygadas ainda não se sente disposto a falar sobre o tempo que passou dentro da mina San José. Os 33 homens assinaram um pacto de só falarem juntos sobre os 69 dias que passaram presos no subsolo.

Família

Na companhia da namorada, dos filhos e dos netos, o mineiro mantém o bom humor, faz piadas e conta histórias.

"Eu vejo a vida de uma perspectiva diferente. Vou amar ainda mais a minha família", disse ao repórter da BBC Piers Scholfield.

A família de Reygadas afirma que ele não mudou quase nada, exceto pela cor da pele. "Ele está muito mais branco, precisa de algum tempo no sol!", disse Ximena, uma de suas filhas.

Um dos mais velhos do grupo de mineiros, Omar Reygadas diz que o período de confinamento mudou também sua visão espiritual da vida.

"Eu não pertenço à igreja, mas agora me sinto mais perto de Deus."

Fonte: g1, www.g1.com.br