Na falta de governo, belgas cortam sexo e deixam a barba crescer

Na falta de governo, belgas cortam sexo e deixam a barba crescer

População espera há 251 dias por um primeiro-ministro e apela ao humor em protestos

A paciência dos belgas está chegando ao limite. O país está sem governo desde junho do ano passado e, nesta quinta-feira (17), iguala o Iraque em número de dias - 249 no total - sem formar uma coalizão de onde sairá o novo primeiro-ministro. Um recorde mundial.

Cansada de tantas negociações sem resultado, a população apela para o humor e protesta. Para os homens, vale deixar a barba crescer. No caso das mulheres dos parlamentares, responsáveis pela decisão de formar um governo, a estratégia é deixar os maridos sem sexo.

A senadora flamenga socialista Marleen Temmerman defende que uma das maneiras de encarar essa situação incômoda é fazer as pessoas rirem. Os próprios belgas já apelidaram as manifestações de protesto de hoje de "Revolução das Batatas Fritas", em referência ao símbolo gastronômico do país, além de parodiar a recente Revolução de Jasmim, na Tunísia

Da sua parte, Marleen lançou um chamado para que as mulheres da Bélgica ? em especial as mulheres dos políticos ? façam uma ?greve de sexo? até que se chegue a um acordo.

Em entrevista ao R7, a também médica ginecologista confessa que a ideia é mais engraçada do que prática, mas pode ter sua colaboração.

- Não espero que isso resolva o problema. É só algo engraçado. Porém funciona no sentido de adicionar um pouco de humor no debate.

?Uma Barba pela Bélgica?

Um dos pioneiros desses protestos humorísticos é o ator Benoit Poelvoorde. Sua estratégia foi convocar os homens insatisfeitos a não se barbearem até o fim da crise institucional.

Os barbudos, por sua vez, enviam suas fotos para serem publicadas no site da campanha A Beard for Belgium (Uma Barba pela Bélgica, em tradução livre). As mulheres, na falta de pelos faciais, podem improvisar a barba com pintura ou fantasias.

Também foi criado um jogo na internet chamado Solve the Belgian Crisis (Resolva a Crise Belga, em tradução livre), no qual ganha quem der mais marteladas na cabeça dos políticos, que surgem de buracos na terra. Veja aqui o vídeo promocional do jogo.

País tenta sair de uma crise e cai em outra

As eleições parlamentares do dia 13 de junho do ano passado era, a princípio, para ajudar a Bélgica a sair de uma crise institucional com renúncia do então primeiro-ministro, Yves Leterme.

Estavam em disputa 40 assentos no Senado e 150 na Câmara dos Deputados, sendo que a maioria foi conquistada pelos separatistas flamengos.

Na Bélgica, após a eleição do Parlamento, cabe ao rei, atualmente Albert 2º, apontar o novo primeiro-ministro. O escolhido para o posto normalmente é o líder de uma coalizão, já que no país dificilmente um partido obtém maioria absoluta.

Divididos por ideais e planos de governo diferentes, a esperada coalizão ainda não se formou.

Bélgica tem divisão cultural histórica

O impasse político na atual sede da União Europeia reflete a divisão histórica que existe entre os flamengos, população de língua holandesa do norte (Flandres), com os valões da região sul (Valônia), que falam francês.

Os falantes de holandês - que representam 60 % dos 11 milhões de habitantes da Bélgica - querem mais autonomia para sua rica região, principalmente na política fiscal e social.

Já os falantes de francês, de uma região mais pobre, querem limitar a descentralização, temendo a perda de vários subsídios e também um verdadeiro desmembramento do país.

Existe ainda uma pequena comunidade de língua alemã no leste da Valônia, mas sem grande representação política.

Fonte: R7, www.r7.com