Para ritual de sorte, caçadoras de esperma preocupam Zimbábue

Para ritual de sorte, caçadoras de esperma preocupam Zimbábue

Governo está preocupado com gangues que roubam sêmen para ritual comum no país, o Juju.

Poucas mulheres no mundo tornaram-se mais temidas pelos homens ao longo dos últimos anos do que as do Zimbábue. No pequeno país africano de finanças frágeis e regime autocrático, homens estão sendo embriagados, torturados e sequestrados por mulheres que roubam seu sêmen para o uso em um ritual comum no país, o Juju.

A imprensa local noticiou casos nos quais as vítimas foram drogadas ou até mesmo ameaçadas com facas e armas de fogo para que mantivessem sucessivas relações sexuais com a sequestradora. Há até mesmo relatos de mulheres que ameaçaram suas vítimas com cobras e obrigaram-nas a ingerir estimulantes sexuais. O resultado é sempre o mesmo ? o sequestrador abandona sua vítima em alguma via deserta e logo depois desaparece.

As chamadas ?caçadoras de esperma? ficaram famosas no Zimbábue em 2009, quando a polícia prendeu três mulheres carregando 31 preservativos usados em uma sacola plástica. Desde então os ataques prosseguem e 17 homens já apresentaram denúncias de abusos.

Susan Dhliwayo, uma jovem de 19 anos, conta que passava certa vez por uma rua e viu que homens pediam carona, hábito comum no país. Quando os pedestres perceberam que se tratava de uma mulher ao volante, recusaram o favor e disseram que não confiavam nela. ?Agora os homens temem as mulheres?, explica.

Em entrevista ao jornal britânico The Telegraph, o porta-voz nacional da polícia do Zimbábue disse que ?não há números exatos sobre a quantidade de casos confirmados? e esclarece ?a maioria desses casos acontece quando as vítimas estavam ganhando carona em veículos privados?. Por essa razão, o governo estaria ?estimulando a população a utilizar o transporte público?.

O ritual Juju, destino mais plausível para o material saqueado pelas ?Caçadoras de Esperma?, é uma tradição para a qual se atribui a atração de sorte e prosperidade. Watch Ruparanganda, sociólogo da Universidade do Zimbábue, confessa que "a questão é de dar um nó na cabeça?, mas aposta na existência de um negócio lucrativo por detrás dos casos.

Enquanto o mistério não é desvendado, quem mais sofre são as mulheres, vítimas de preconceitos e generalizações por parte dos homens. Um grupo de defesa dos direitos das mulheres no Zimbábue criticou a ênfase que a imprensa do país atribuindo a essas ocorrências e argumenta que a gravidade das violências sofridas por mulheres diariamente não chega nem aos pés do choque ocasionado por esse tipo de abuso sexual contra homens. Para além do humor e da polêmica que ganharam de todo o país, as três mulheres presas em 2009 também receberam ameaças anônimas de morte.

Fonte: UOL