Pela primeira vez, brasileiro assume uma cadeira no Senado italiano

Além da experiência legislativa, o ítalo-brasileiro é formado em arquitetura e urbanismo pela PUC-Campinas


Pela 1ª vez, brasileiro assume cadeira no Senado italiano

O arquiteto e urbanista brasileiro Fausto Longo, 60, nascido em Amparo (133 km de São Paulo), tomou posse hoje como senador na Itália. Eleito com cerca de 30 mil votos, Longo assume uma das duas cadeiras a que o Parlamento Italiano oferece aos ítalo-descendentes da América do Sul no Senado italiano --somente os habitantes do continente com cidadania italiana têm direito a voto para escolher o ocupante do cargo. Da mesma forma, somente pessoas com cidadania italiana podem ser votados. É a primeira vez que um brasileiro ocupará o posto.

Eleito por um partido de centro-esquerda, o PD (Partido Democrático), Longo apoiou Pier Luigi Bersani para ocupar o cargo de primeiro-ministro da Itália, que recebeu a maioria dos votos na Câmara e no Senado. No entanto, como o PD não conseguiu maioria absoluta dos votos, a composição do governo ainda depende de acordos com outros partidos.

Longo assume o mandato ?-de quatro anos-? com a missão de representar a colônia italiana na América do Sul. Vivendo atualmente em Piracicaba (160 km de São Paulo) ?-cidade da qual é cidadão e na qual já foi vereador - estão a promoção de intercâmbio entre jovens brasileiros e italianos, eliminar a fila para obtenção da cidadania italiana no Brasil e aprovar uma lei que introduz nas escolas italianas o estudo obrigatório das migrações e presenças italianas no mundo.

"A responsabilidade que estamos assumindo amplia nosso comprometimento com as causas nas quais acreditamos e que são necessárias para recolocar a Itália no caminho", afirmou Longo.

Além da experiência legislativa, o ítalo-brasileiro é formado em arquitetura e urbanismo pela PUC-Campinas (Pontifícia Universidade Católica de Campinas), já foi secretário de Turismo de Piracicaba, coordenador de comunicação do Ministério da Ciência e Tecnologia e delegado da Embratur (Empresa Brasileira de Turismo).

"Minha vida é Piracicaba. Toda a minha formação política e a maioria da minha vida profissional foram na cidade. Se você abre uma lista telefônica de Piracicaba hoje, 70% dos nomes são italianos. É Gianetti, Vitti, Stênico, Dedini, um monte de nomes que construíram e participaram da construção da história da cidade", disse.

Eleições

A Itália é o único país que reserva vagas em seu parlamento para representantes fora de seu território. No Brasil, os cidadãos italianos inscritos no AIRE (Anagrafe dos Italianos Residentes do Exterior) votam por correspondência. Os consulados enviam a cédula por correio, a cada eleitor, um envelope contendo um documento explicativo e o material necessário para a votação.

Por meio do voto, os italianos residentes na América do Sul participam ativamente da vida democrática da Itália, podendo eleger quatro deputados e dois senadores. São cerca de 60 mil ítalo-descendentes vivendo na América do Sul, a maior comunidade italiana do mundo

Fonte: UOL